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Atividades da INB ainda esperam novos licenciamentos em Caetité

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Há dois anos com suas atividades mineroindustriais estagnadas, sem produzir um único grama de concentrado de Urânio (U3O8) – o Yellowcake – a unidade industrial da mineradora baiana – URA /Caetité – única mina de urânio em atividade no Brasil – continua dependente de novos licenciamentos ambientais para voltar a produzir.

Identificada e prospectada em 1976, a província uranífera de Lagoa Real (como foi inicialmente batizada) está em operação desde o ano 2000, em exploração a céu aberto, processada pela INB – Indústrias Nucleares do Brasil S/A, empresa estatal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O mineral urânio armazenado em terras baianas – a 740 km de Salvador, na cidade de Caetité – possui, segundo estimativas da empresa, reservas de aproximadamente 100.000 toneladas – volume suficiente para abastecer toda a demanda das centrais nucleares do Brasil por toda sua vida útil (a vida útil de uma usina é de aproximadamente 60 anos). A capacidade de produção da unidade baiana é de 400 toneladas/ano de concentrado de urânio, produção que já foi alcançada nos últimos anos.

Toda a extração feita em Caetité nesses 16 anos foi numa única mina – a da Cachoeira (NA 13) – localizada nos limites do distrito de Maniaçu, 39km distante de Caetité.

A INB, ainda dependente de licença,  planeja duplicar a capacidade de produção atual de urânio em Caetité, de 400 toneladas/ano para próximo de 800t.

“O objeto principal da INB atualmente, de imediato, é restabelecer a produção de urânio (há 2 anos parada) de 400 t/ano e buscar atingir a autossuficiência das usinas de Angra 1 e 2 e futuramente Angra 3”, disse Laércio Aguiar da Rocha, diretor de Recursos Minerais da empresa.

Ele esclarece que na Mina do Engenho (AN 9) está sendo iniciado o processo de “supressão vegetal/decapagem”, com previsão do início da lavra em maio de 2017, em exploração a céu aberto (cavas). A exploração subterrânea da Mina da Cachoeira (AN 13), no entanto – que já atingiu sua capacidade máxima a céu aberto – necessita de novo licenciamento de exploração em mina subterrânea para retomar sua continuidade.

Para retomar e ampliar a produção industrial, Aguiar esclarece que “tal empreendimento requer ainda a ampliação da sua Unidade de Concentrado de Urânio (URA / Caetité) para viabilizar as diversas obras necessárias”. Para tal projeto, disse, serão implementados mais de R$ 500 milhões até o ano de 2020; investimento esse que deverá incrementar, de forma substancial, a economia da região.

A empresa conta hoje com cerca de 580 colaboradores na URA de Caetité, entre orgânicos e terceirizados, devendo esse número ser ampliado em mais 200 postos de trabalho, gerando ainda mais renda à população local.

Estimativa para os próximos anos  – Baseado no seu recente PPA (Programa Plurianual de Admistração), a INB planeja para os próximos cinco anos a seguinte escala de produção: este ano apenas 15 toneladas de concentrado de Urânio, progredindo para 165 toneladas em 2017; 195 toneladas em 2018, e 204 toneladas em 2019. “A busca será incessante até atingirmos nossa capacidade máxima de produção instalada, que é de 400 t/ano. A partir de 2020, com a entrada da produção da exploração subterrânea da Mina da Cachoeira e mais a produção da Mina do Engenho, prevemos atingir a marca de 391 toneladas, em 2020, e 650 toneladas em 2021, volume muito próximo de atender a demanda das usinas termoelétricas de Angra 1, 2 e 3”, disse o diretor Laércio Aguiar.

Impactos ambientais – O diretor esclarece que desde o planejamento para supressão vegetal da área afetada pela decapagem é realizada uma operação de afugentamento e ou captura de animais aprovada e fiscalizada pelo IBAMA, realizada por profissionais específicos e credenciados pelo órgão ambiental, cuja estrutura de coordenação a URA/INB já tem montada, própria para os assuntos ambientais.

Estradas para escoamento do urânio – A URA/Caetité é atendida por estradas vicinais. A principal é a BR 122, que liga a unidade à sede municipal de Caetité. Mas sua ampliação requer a execução de obras de supressão vegetal e de capeamento, bem como exige abertura de acessos/vias de circulação internas e infraestrutura da Mina do Engenho para que se possa transportar, com a devida segurança radiológica e ambiental, a produção do minério da nova Mina (do Engenho) até a unidade de beneficiamento (URA), distante 4 Km, assim como circulou, em todo o tempo, a produção de minério extraído da Mina da Cachoeira.

Destino dos materiais da supressão – Rocha explica que a empresa mantém nas suas dependências um horto apropriado para o manejo e cultivo das espécies, que no seu tempo, servem para o replantio de áreas na própria URA, buscando sempre a sustentabilidade das operações de lavra. Os materiais remanescentes da supressão vegetal são acondicionados em locais apropriados e sob a fiscalização rigorosa do IBAMA, impedidos inclusive de doação.

Riscos e cuidados com a mineração – O urânio é um mineral radioativo que pode provocar envenenamento de baixa intensidade (por inalação ou absorção pela pele), com alguns efeitos colaterais, como náusea, dor de cabeça, vômito, diarreia e queimaduras, atingindo o sistema linfático, sangue, ossos, rins e fígado.

A exposição à radiação em alta dosagem pode provocar o desenvolvimento de alguns tipos de câncer de pulmão ou outras doenças no órgão. O maior cuidado na região da mineração e produção industrial, no entanto, é com relação aos lençóis freáticos, caso ocorra vazamentos de água utilizada no processamento industrial do material. Mas, conforme relatórios da empresa, há um constante e permanente monitoramento das condições da água do entorno.

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