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CFO pede a ministro da Educação que não autorize novos cursos de Odontologia no país

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Brasil tem 240 mil dentistas, o que equivale a 15% dos dentistas do mundo

Em ofício entregue ao ministro da Educação, Mendonça Filho, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) solicita a suspensão de autorizações para abertura de novos cursos de Odontologia no país por um período de cinco anos. O CFO protocolou o documento na segunda-feira, 21 de novembro, no Ministério da Educação (MEC).

De acordo com o presidente do CFO, Juliano do Vale, o pedido é motivado pela preocupação da categoria com a queda na qualidade de ensino nas universidades. “O Conselho Federal tem o dever de fiscalizar o exercício profissional em todo o território nacional e está preocupado com o grande número de cursos de odontologia autorizados pelo MEC nos últimos cinco anos, que ainda nem formaram as primeiras turmas, além de não estarem sendo respeitadas as manifestações do CNS sobre a abertura de novos cursos”, disse.

Na semana passada, foi destaque na imprensa nacional a intenção do MEC de suspender a abertura de novos cursos de Medicina no país. “Considerando a legitimidade de tal demanda, o CFO manifesta-se a favor do movimento (…) razão pela qual requer que o supramencionado ato governamental suspenda também a autorização de novos cursos de odontologia”, diz o ofício entregue ao MEC.

O CFO também se coloca à disposição do ministro para debater o tema.

Mais de 300 cursos de Odontologia

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Atualmente há no Brasil mais de 300 cursos de Odontologia. Há ainda a modalidade de ensino a distância, que o CFO combate abertamente. De acordo com informações do portal E-MEC, vários ainda não formaram sequer a primeira turma, o que dificulta sobremaneira a avaliação da qualidade desses cursos.

O site BBC Brasil publicou que, segundo o grupo de análises econômicas Euromonitor Internacional, o Brasil tem o maior número de dentistas do mundo. São mais de 240 mil, o que equivale a 15% dos dentistas do mundo.

Em volume geral, o mercado dental brasileiro é o terceiro do mundo, atrás apenas dos EUA e da China.

Famílias brasileiras gastam o mesmo em cuidados orais que as americanas, ainda que a produtividade econômica brasileira seja apenas um quinto da dos EUA.

Dados do Banco Mundial de 2013, publicado pelo site http://vidadedentista.com.br apontam a seguinte comparação entre EUA e Brasil, em relação ao número de dentistas:

 

EUA

População: 320 milhões;

Número de Cirurgiões Dentistas: 187.240;

Formam-se por ano: 4.800;

Faculdades de Odontologia: 73;

Brasil

População: 200 milhões;

Número de Cirurgiões Dentistas: 251.951;

Formam-se por ano: 12.000;

Faculdades de Odontologia: 203;

 

Um dentista para cada 838 habitantes

 

Uma pesquisa da Organização Pan-americana de Saúde, do Ministério da Saúde e do Observatório de Recursos Humanos em Odontologia traçou o perfil dos dentistas brasileiros e constatou que, enquanto há uma grande concentração de profissionais nos grandes centros urbanos como São Paulo, as regiões mais pobres e distantes sofrem enormemente com a falta de atendimento. Especialistas garantem que estimular a descentralização da oferta de atendimento é essencial na oferta de um serviço de saúde de qualidade.

A pesquisa concluiu que os quase 220 mil dentistas existentes atualmente são mais do que suficientes para oferecer um atendimento de qualidade para a população. A média nacional, de um odontologista para cada 838 habitantes, é uma das melhores do mundo. “O desafio é interiorizar tanto a formação quanto o acesso para esses profissionais”, explica a coordenadora do estudo, a professora do departamento de Medicina Oral e Odontologia Infantil da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Maria Celeste Morita.

Apesquisa mostra que, mesmo com uma quantidade adequada de profissionais no país, a maioria ainda se localiza nas regiões Sudeste e Sul. Juntos, os sete estados dessas regiões concentram quase 75% de todos os dentistas brasileiros, deixando apenas 25% para as outras 20 unidades da federação. Só o estado de São Paulo abriga um terço de todos os profissionais da área.

Por outro lado, a maioria dos 85 milhões de brasileiros que vivem nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste experimentam uma realidade diferente. No Norte, são 1,8 mil pessoas, em média, para cada profissional, e em alguns municípios do Nordeste, como em Paçatuba (CE), esse índice dispara para mais de 65 mil para cada dentista, um número 77 vezes maior que a média nacional.

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