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O desafio do uso da água na agricultura brasileira é tema de estudos na Embrapa

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Estudos apontam que a Agricultura consume cerca de 70% das reservas globais de água doce

A água é um recurso natural finito e uma das maiores preocupações do futuro da humanidade. Por isso, cada vez mais a sociedade vai questionar a forma como o seu uso vem sendo feito pelos diversos setores produtivos no mundo.

A agricultura tem sido apontada como suposta consumidora de 70% das reservas globais de água doce. Esse percentual, internacionalmente citado, não encontra sustentação na realidade brasileira, cuja agricultura é prioritariamente dependente de chuvas. A maioria das nossas propriedades rurais toma emprestada da natureza a água da chuva, que iria aos rios e oceanos, e a devolve limpa, com a evaporação, transpiração e infiltração no solo. Ainda assim, muito precisa ser feito para melhorar a eficiência no uso das águas na agropecuária.

As crescentes crises hídricas ocorridas recentemente em algumas regiões no Brasil, sem falar das constantes secas que atravessam séculos no Semiárido nordestino, nos mostram que precisamos cuidar urgentemente dos nossos recursos hídricos. O avanço do processo de urbanização nos força a discutir o impacto das cidades na poluição dos recursos hídricos e na ampliação do uso insensato da água.

A agricultura do futuro exigirá, da ciência de hoje e dos próximos anos, soluções de baixo custo para o uso cada vez mais racional da água. Plantas mais eficientes e resistentes ao estresse hídrico. Sistemas de irrigação que otimizem o uso de água e energia. Práticas conservacionistas que protejam o solo e reduzam a evaporação. Sistemas que integrem lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta bem manejados, que podem contribuir para a conservação da água pelo solo, mitigando os efeitos negativos decorrentes da grande dispersão entre precipitações das estações chuvosa e seca. Essas são algumas frentes de projetos de pesquisa que estão sendo tocados em importantes centros de pesquisa da Embrapa neste momento, em parceria com várias instituições públicas e privadas.

Mas a Ciência precisará se apoiar em políticas públicas para fazer com que essas soluções possam efetivamente se transformar em inovação. Mais reservatórios, em pontos estratégicos, permitiriam ampliar a prática da irrigação, ainda pouco utilizada no Brasil. Além de ampliar a produção de alimentos, a irrigação pode cumprir outro nobre papel no futuro: viabilizar grandes reservas manejáveis de água para mitigar os efeitos das enchentes. Ou então viabilizar que soluções simples possam ser adotadas em larga escala no território nacional, como as Barraginhas, um sistema de pequenas barragens escavadas de forma sequencial no sentido das enxurradas.

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Se bem planejadas e manejadas, essas barraginhas enchem, esvaziam e voltam a encher, segurando enxurradas e armazenando água nos momentos de abundância. Essa tecnologia simples e de baixo custo já viabilizou a formação de inúmeros reservatórios pelo interior do Brasil, mas poderiam ser adotadas em todo o território nacional se existisse uma política pública que facilitasse a sua instalação por meio de uma parceria entre prefeituras, iniciativa privada e os produtores rurais.

Nesta página, a Embrapa demonstra algumas das suas soluções tecnológicas e projetos de pesquisa em andamento na sua programação que contribuem para o uso mais racional da água na agropecuária. Expõe, também, a interfaces e sinergia do seu trabalho com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (Água potável e Saneamento), estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). O alinhamento foi feito com três dos eixos de impacto e com quatro dos 12 objetivos estratégicos do VI Plano Diretor da Embrapa.

O ODS 6 chama a atenção das autoridades globais a respeito da necessidade do acesso à água potável e ao saneamento pelas populações de todo o mundo. Para que esse objetivo seja cumprido, há um conjunto de metas a considerar, entre as quais se destacam a melhoria da qualidade da água ofertada, o aumento da eficiência no uso desse recurso em todos os setores (incluindo o seu uso sustentável) e, ainda, a proteção ou restauração dos ecossistemas.

A partir do alinhamento da sua agenda de trabalho com compromisso internacional com o ODS 6, a Embrapa selecionou seis das oito metas estabelecidas pela ONU com as quais pode contribuir efetivamente para o alcance nos prazos estabelecidos, por meio de pesquisas, soluções tecnológicas e apoio na definição e implementação de políticas, programas e ações desenvolvidas ou em desenvolvimento e também futuros estudos.

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