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Candiba: Às margens da Lagoa, o Mocambo dos “candimbas” é exemplo na Bahia

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Mocambo, Mucambo e Candiba: histórias e sonhos edificados ao redor de uma Lagoa depois da Lei Áurea.

A origem do nome Candiba, na melhor acepção que se conhece, significa candimba, na língua angolana quimbundu ou kimbundu, o mesmo que Tapiti (uma espécie brasileira de coelho), em tupi-guarani.

Relatos que se repassam de geração a geração e umas poucas publicações de pesquisadores da região é tudo que se tem sobre a sucinta história da origem e desenvolvimento da comunidade de Mocambo (Candiba), um pedaço territorial da Bahia cravado nas encostas da Serra Geral, onde convivem e trabalham pouco mais de 14 mil habitantes.

Afirmam os relatos sobre o lugar que, em 1834 chegou nessa terra o padre, de descendência portuguesa, Francisco Moreira dos Santos, trazendo em sua bagagem uma imagem, esculpida em cerâmica, de Nossa Senhora das Dores, para doutrinar, sob a égide da Igreja Católica Apostólica Romana, uma considerável população de escravos debandados de fazendas da região do Vale do Rio das Rãs, cujo trabalho catequético prosperou e, então, se fez a Santa a padroeira do lugar.

Dotado das lições ecumênicas europeias, padre Moreira – como era chamado pelos seus seguidores – se aconchegou no lugar onde hoje é a Praça da Matriz, juntando-se aos escravos debandados, dentre outras paragens, das Fazendas Mulungu, Canabrava e Santa Rosa, Volta, Umburanas, Bela Vista…

Percebendo haver ali terras férteis, favoráveis ao plantio de diferentes culturas, como milho, feijão, arroz, mandioca, cana-de-açúcar e algodão, ele passou a orientar os quilombolas para os trabalhos agrícolas, enquanto expandia seu trabalho evangelizador e edificava a primeira capela em louvor a Nossa Senhora das Dores. E anexados aos fundos da ermida, ergueu-se dois cômodos, que serviam de residência ao padre.

Decorridos 56 anos da sua chegada, já tomado pelo cansaço e idade avançada, padre Moreira faleceu aos 84 anos (dizem os relatos populares), deixando sua lição de abnegação como maior tributo à história desse sempre promissor recanto da Bahia, onde, até hoje, é referendado com ternura e gratidão.

Padre Moreira foi sepultado, segundo relatos de populares, num “pedaço de chão da igreja”, lugar onde foi construída a “caixa d’água da Praça da Matriz”. Antes de falecer, ele já contava com a ajuda dos sacerdotes padres Manoel Prates e Carlos Falconi, vindos da Itália e de Portugal.

Padre Moreira constituiu família com escravas da comunidade de Mocambo, deixando duas filhas: Ana Epifânia Moreira dos Santos e Rita Epifânia Moreira dos Santos.

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Fazenda Santo Rosa, que pertenceu a Silva Castro (avô de Castro Alves), é modelo do passado.

OS PRIMEIROS DONOS – A primogênita do padre Moreira, Ana Epifânia Moreira dos Santos, casou-se com Tiburtino José de Souza, e desta união nasceram seis filhos, dentre os quais, Antônio Moreira de Souza, conhecido na comunidade por Totonho. Este se casou duas vezes, sendo a sua primeira esposa, Luduvina Lina do Amor Divino Trindade, natural da Fazenda Brejo Grande, do Município de Caetité, e tiveram oito filhos. Com a segunda consorte, Maria Joaquina Ferreira Coelho, procedente do Município de Monte Alto, tiveram mais quatro filhos. Desta segunda união nasceu Gero Moreira da Trindade, um dos principais responsáveis pela expansão do comércio e industrialização em Candiba. Foi ele o primeiro proprietário da primeira loja de tecidos e da primeira usina de beneficiamento de algodão. Seu irmão Francisco Moreira Coelho também se tornou conhecido por desempenhar o papel de “médico” homeopata, que possuía bons livros sobre manipulação de ervas. Com isso – por seus muitos acertos na cura – tornou-se muito popular na região.

A segunda filha do Padre Moreira, Rita Epifânia, casou-se com Maximino Moreira de Souza (que passou a assinar Rita Epifânia Moreira de Souza) e tiveram oito filhos. O mais velho deles, Francisco Moreira de Souza, o Francisquinho, destacou-se na comunidade por seu trabalho catequizador e organizador de grandes festas religiosas. Francisquinho casou-se com Ana Vitória Pereira Magalhães, de Palmas de Monte Alto, com quem teve vários filhos, entre eles, José Moreira de Souza, o conhecido servidor público Zezinho Moreira (ainda vivo), e Joaquim Moreira de Souza, um ex-delegado de polícia de Candiba.

Muitas outras famílias, não menos importantes, ajudaram a construir a história de Candiba. Por volta de 1865, vindo de Portugal, chegaram à Vila de Mocambo Manoel da Silva Prado e sua esposa Ana Vitória Alves Prado, e aqui permaneceram por alguns anos até se mudarem para Mato Grosso. Mas aqui deixaram seu filho Deraldo da Silva Prado, que se casou com Maria Rosa de Jesus, de cuja família herdam o sangue os ex-prefeitos Aleci da Silva Prado e Reginaldo Martins Prado.

Em 1885, migraram de Palmas de Monte Alto alguns membros da família Ferreira Coelho, dentre os quais Tibúrcio Ferreira Coelho, Maria Joaquina Ferreira Coelho e Leolino Ferreira Coelho, sendo este último um grande artífice e destemido cidadão, hábil mestre da construção civil, que cuidava desde a fabricação dos adobes até a aparelhagem e cobertura das edificações.

Outra grande contribuição para a formação socioeconômica de Candiba vem da família Martins, a mais numerosa do município, “maior família da Bahia e, provavelmente, do Brasil” (escreveu a Revista Veja na edição de 01/01/1975). Eles chegaram por volta de 1901, vindos dos municípios de Caculé e Caetité (freguesia de Nossa Senhora Santana, das Imburanas). Como titular, o casal Constantino da Silva Martins e Emiliana de Jesus Martins, com seus muitos filhos, destacando-se Joaquim da Silva Martins. Este se casou com Regina Alves de Jesus, com quem teve 18 filhos (Cicinato, Selvino, Porfírio, Nelbino, Alípio, Diocleciano, Guilhermino, Horácio, Etelvino, Carmerino e Oscarino – todos da Silva Martins; e as filhas: Emiliana, Amélia, Ana, Elgina, Etelvina, Maria e Joana).

Os Martins vêm desempenhando, no decorrer de mais de um século, um papel muito importante em todos os seguimentos socioeconômicos do município e regional, seja no comércio, na agropecuária, bem como na política, área educacional, na saúde etc.

Há também as famílias Araújo e Marques, Rodrigues, Tibo Laranjeira, Lima de Barros, Teixeira, Azevedo, Pereira Dantas, Reis, Ferreira, Oliveira, Moreira, Néri, Rocha, e Carvalho, Batista de Souza e outras. Esta última chegou aqui por volta de 1903, sendo João Batista de Souza e sua esposa Felizarda Maciel de Souza os primeiros figurantes. Eles tiveram cinco filhos, e um deles, Antônio Batista de Souza, foi o primeiro administrador da vila de Mocambo, primeiro a impulsionar a educação, formando sua filha a primeira professora daquela freguesia (Ele faleceu em 1942, vitima de febre tifóide). Destas famílias, principalmente, brotou o desenvolvimento do comércio local.

Já no início da década de 1960, quando o município deixa de pertencer à Guanambi, eram muitas e bem estruturadas as lojas de tecidos, calçados, ferramentas e implementos agrícolas, atacadistas de secos e molhados, e quatro grandes Usinas de Beneficiamento de Algodão. O comércio do algodão se tornou fonte de renda estável para alguns, a exemplo dos irmãos João, Joaquim e Francisco Marques, de Durval de Souza Lima, Propércio José de Barros, Aleci da Silva Prado, Juvêncio Rocha e outros.

Na história política do município, desde que foi emancipado, assumiram o Poder Executivo: Tertuliano Joaquim Neto, Joaquim Neves da Silva (dois mandatos), Juvêncio Da Rocha Ribeiro, Aleci da Silva Prado (dois mandatos), Wilton de Souza Moreira (dois mandatos), Reginaldo Martins Prado (três mandatos), Lúcio Barros Lima e Jarbas Henrique Martins de Oliveira (que cumpre mandato).

 

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