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Levantamento mostra alta incidência de nematoides nas áreas produtoras de algodão na Bahia

Foto Fabiano Perina

Monitoramento constante e rotação de cultura estão entre as recomendações para combater o problema (Foto: Fabiano Perina)

Um estudo realizado nas duas últimas safras mapeou a ocorrência de nematoides em 250 mil hectares de áreas produtoras de algodão do Oeste Baiano, onde se concentra a maior área de produção da pluma no estado. O trabalho foi feito pela Embrapa Algodão (PB) em parceria com a Fundação Bahia e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). Pesquisadores recomendam ações de manejo como rotação do algodão com soja resistente ao verme, emprego de plantas de cobertura e monitoramento constante do solo entre as medidas para se combater o problema (veja quadro no fim do texto).

O verme que parasita as raízes de diversas culturas é considerado um dos principais problemas fitossanitários do algodoeiro na região do Cerrado, capaz de comprometer a produtividade da cultura. Foram realizadas amostragens em 96 fazendas com cultivos de algodão em 11 municípios baianos durante as safras 2016/2017 e 2017/2018, contabilizando um total de 835 talhões amostrados.

A pesquisa investigou a ocorrência das espécies com maior importância econômica no algodoeiro: o nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita), o nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) e o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus).

O nematoide das lesões radiculares foi encontrado com maior incidência e distribuição espacial, diagnosticado em 85% das amostras, seguido do nematoide-das-galhas, presente em 37% das amostras, e do nematoide reniforme, que apresentou incidência de 14%.

Em 55% dos talhões amostrados foi diagnosticada a presença de infecções múltiplas, ou seja, presença de mais de uma espécie de nematoide associado ao algodoeiro. Predominou a ocorrência de infeções ocasionadas por nematoide-das-galhas associado ao nematoide-das-lesões radiculares (31%), seguida por nematoide-das-lesões radiculares com nematoide reniforme (13%). O nematoide-das-galhas com nematoide reniforme ocorreu em 6% das áreas e a associação das três espécies ocorreu em 5% dos talhões amostrados.

Grafico“Nos 250 mil hectares de área percorrida durante as duas safras, em apenas 8% dos talhões não foi detectada a presença de pelo menos uma das três espécies de nematoides associadas à cultura do algodoeiro”, ressalta o fitopatologista da Embrapa Algodão Fabiano Perina, que coordenou a pesquisa.

Nematoide-das-galhas prejudica mais a produtividade

Perina relata que, entre as espécies diagnosticadas, o nematoide-das-galhas é a espécie que apresenta maior relação com perdas para o cultivo do algodoeiro, seguido pelo nematoide reniforme. Para chegar a essa conclusão, ele comparou a densidade populacional de nematoides nas áreas com histórico de alta produtividade e de baixa produtividade. “Verificamos que houve correlação entre a baixa produtividade e a alta densidade populacional do nematoide-das-galhas e do nematoide reniforme, o que evidencia a capacidade dessas espécies de nematoides em causar danos ao algodoeiro na região Oeste da Bahia”, afirma.

Apesar de estar presente na maioria das áreas de cultivo, o nematoide-das-lesões radiculares não aparenta ter relação direta com perdas na produtividade do algodoeiro no Oeste Baiano, conforme o mapeamento. “Não houve diferenças expressivas entre a densidade populacional média de áreas com histórico de alta e baixa produtividade”, informa. “Entretanto, deve se ter cautela com o aumento populacional dessa espécie, dada sua predominância nas áreas de produção, sua relevância para outras culturas praticadas dentro do sistema de produção e até mesmo para o algodoeiro quando associada a outras espécies de nematoides e patógenos de solo”, acrescenta.Nematoide

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