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Contra construção de barragem de rejeito povo toma as ruas de Guanambi em protesto

Contra Baimn - Foto Blog do Latinha cópia cópia

O grito popular foi dirigido ao governador da Bahia, exigindo do INENA a suspensão imediata da licença para construção de barragem de rejeitos pela Bamin (Foto Blog do Latinha)

É grande a rejeição popular ao projeto de construção de uma barragem de rejeito para atender interesses da Bahia Mineração (Bamin) – empresa detentora dos direitos de exploração da província ferrífera do município de Caetité, que abrange também áreas de Pindaí e Guanambi.

Nesta quinta-feira (6), conforme havia sido anunciado nos últimos dias, o movimento popular “VIDA SIM, BARRAGEM NÃO” saiu em caminhada pelas ruas centrais de Guanambi, com a participação de cerca de 15 mil pessoas (segundo avaliação dos coordenadores) em defesa do meio ambiente e contra a construção da dita barragem da Bamin, numa área muito próxima da barragem de Ceraíma, principal reserva de água potável que abastece essa comunidade regional desde a década de  1960, bem como sustenta o maior projeto de hortifruticulturas da região, o Projeto Irrigado de Ceraíma, além do IFBaiano – Instituto Federal Baiano de Educação.

Dentre os que protestaram, estiveram estudantes, professores, comerciantes, representantes de igrejas, sindicatos, associações, imprensa regional.

O grito popular foi dirigido ao governador da Bahia, exigindo do INENA a suspensão imediata da licença para construção da referida barragem de rejeitos, bem como a realização de uma urgente audiência pública em Guanambi para debater sobre o tema.

Licença Renovada

Há pouco mais de 60 dias (21/3) foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, nova licença de instalação da Bahia Mineração (BAMIN), no município de Caetité, para um prazo de mais seis anos.

A mineradora baiana, por seu projeto “Pedra de Ferro”, prevê a extração anual de até 20 milhões de toneladas de minério de ferro, o que fará da Bahia o terceiro maior produtor de minério de ferro do país. A empresa anuncia que vai gerar dez mil empregos diretos e vinte mil indiretos durante a implantação; e, após a entrada em operação, 1, 5 mil empregos diretos.

Novo modelo de barragem

Diante da repulsa popular, certamente instigada pelos exemplos catastróficos ocorridos nas mineradoras de Minas Gerais, a Bamin alterou o método que será utilizado para a construção da barragem de Caetité a fim de garantir mais segurança ao armazenamento de rejeitos sólidos que serão produzidos pelo processamento do minério. O barramento será construído por meio do alteamento a jusante, e não mais pelo método a montante, como estava previsto anteriormente.

Três tamanhos de Ceraíma

O temos da população é que a Barragem de Ceraíma e a Vila sejam engolidas pela barragem de rejeito

O temor da população é que a Barragem de Ceraíma e a Vila sejam engolidas pela barragem de rejeito

Para se ter uma dimensão da barragem de rejeito proposta pela Bamim, ela terá capacidade total de armazenamento de 180 milhões m3, ou seja, três vezes a capacidade da barragem de Ceraíma (58 milhões m3), que será alcançado ao final dos 30 anos de operação. O alteamento da barragem ocorrerá paulatinamente ao longo dos 30 anos de operação da mina.

O temor dos moradores

No entender dos moradores da região e de muitos técnicos no assunto, o reservatório de Ceraíma corre risco iminente se vir a ser contaminada pela tal  barragem de rejeito da Bamin, já que o reservatório contaminado por substâncias minerais pesadas será construído próximo e  num patamar mais elevado em relação à Ceraíma,  em um vale, ao lado da Usina de Beneficiamento, entre os municípios de Pindaí e Caetité e limitando a Leste com Guanambi.

Uma vila no meio do caminho

Na vertente da vazante da barragem de Ceraíma está edificada a Vila de mesmo nome, segundo maior distrito de Guanambi, onde vivem e trabalham cerca de 8.000 moradores. Na mesma direção, rumo ao rio São Francisco, distante 12 km da vila, está a sede municipal de Guanambi, cidade com 86.000 habitantes, que ficará igualmente vulnerável na hipótese de uma catástrofe como a de Mariana/MG.

 

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