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Couro de tambaqui pode ser oportunidade de negócio e renda

Um dos diferenciais foi o curtimento com uso de tanino sintético, sem aplicação de cromo no processo. Foto: Ana Maio/divulgação

Um dos diferenciais foi o curtimento com uso de tanino sintético, sem aplicação de cromo no processo. Foto: Ana Maio/divulgação

Transformar um resíduo da produção de tambaqui em oportunidade de negócio com valor agregado para a cadeia do pescado ou de geração de renda extra para pessoas interessadas em ampliar os ganhos familiares. Essa foi a tônica do curso de curtimento industrial de pele de tambaqui e manufatura artesanal com couro deste peixe, que aconteceu na semana de 29 de outubro a 1º de novembro em Sorriso (MT).

O curso foi realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP). As aulas, dadas pelo pesquisador Manuel Chagas Jacintho, da Embrapa, e pelo instrutor de artesanato em couro, Alfred Loosli, aconteceram no frigorífico Delicious Fish. Um dos diferenciais foi o curtimento com uso de tanino sintético, sem aplicação de cromo no processo. O cromo é um metal utilizado em forma de solução para curtir o couro pela maioria dos curtumes no mundo, mas tem problemas ambientais por ser tóxico.

A agrônoma Ildefonsa Zanatto trabalha com couro de tambaqui durante o curso. Foto: Ana Maio/divulgação.

A agrônoma Ildefonsa Zanatto trabalha com couro de tambaqui durante o curso. Foto: Ana Maio/divulgação.

A agrônoma Ildefonsa Zanatto, uma das participantes, disse que fez o curso porque se interessa por novos conhecimentos e é uma chance de produzir o couro do peixe e artefatos para obter renda extra. “Além disso, podemos repassar esse conhecimento para que outras pessoas também possam ampliar a renda”, disse ela, que mora na região.

Maysa Shaffer disse que fez o curso para adquirir um novo conhecimento e por ter a matéria prima disponível na região. “A gente tem meios de fazer as peças. O produto final é lindíssimo”, disse ela, que está cursando agronomia e trabalha na área comercial do frigorífico.

Etapas

A ideia de juntar dois cursos em um surgiu em função da demora do processo de curtimento, que leva cerca de uma semana. Já na segunda-feira, dia 28, Jacintho selecionou as peles que seriam trabalhadas e classificou por peso. Foram descartadas peles grandes ou pequenas demais. Elas ficaram a noite toda mergulhadas em produtos para iniciar o processo de redução da gordura.

Manuel Jacintho, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste - Foto Ana MaioNa terça, o curso começou com apresentações teóricas de Jacintho e Alfred, que explicaram tecnicamente os processos de curtimento e de manufatura artesanal. Enquanto as peles passavam pelo processo, grande parte feito dentro de um equipamento chamado fulão, os participantes iam desenvolvendo as peças com couro bovino, ovino e de peixes. As explicações eram oferecidas a cada etapa do preparo do curtimento.

No artesanato, foram preparadas caixas, porta-óculos, chaveiros em formato de peixe e outros materiais artesanais. Jacintho destacou a importância do acabamento do couro de peixe, que pode incluir tingimento e o uso de procedimentos para dar brilho ao material.

Já Alfred mostrou aos participantes as ferramentas que utiliza no artesanato, as diferentes formas de costura e colagem, a confecção de moldes para montar as peças e a escolha do couro adequado para cada finalidade. O couro de tambaqui foi utilizado como apliques em algumas peças.

BRS Aqua

A transferência de tecnologia sobre a pele do tambaqui é uma atividade prevista no BRS Aqua, um projeto que envolve mais de 20 Unidades da Embrapa e conta com financiamento do Fundo Tecnológico do BNDES / Funtec, da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SAP / Mapa, recurso que está sendo executado pelo CNPq) e da própria Embrapa. O nome oficial do projeto é “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil”.

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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