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Horto INB Caetité: espécie de orquídea é identificada pela primeira vez no Brasil

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília/DF, levou à primeira citação científica de ocorrência da espécie Vanilla calyculata Schltr no Brasil. Foto: divulgação INB

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília/DF, levou à primeira citação científica de ocorrência da espécie Vanilla calyculata Schltr no Brasil. Foto: divulgação INB.

Espécie referenciada somente para os países El Salvador, Honduras, Costa Rica e Colômbia, a variedade Vanilla calyculata Schltr foi identificada, pela primeira vez no Brasil, no Horto Florestal da Indústria Nucleares do Brasil – INB, no município baiano de Caetité.

A muda da baunilha, que havia sido identificada até o nível de gênero por técnicos no Horto de Caeité, foi doada pela INB ao Banco de Germoplasma da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília/DF, que a levou à primeira citação científica de ocorrência da espécie Vanilla calyculata Schltr no Brasil.

O envio da muda para a Embrapa ocorreu após uma inspeção do IBAMA, quando o analista do órgão, Carlos Romero, viu o resgate que técnicos do Horto de Caetité estavam fazendo de espécimes de planta e a formação de um banco de Germoplasma na unidade. Foi Romero quem levantou a hipótese de ser uma espécie importante, intermediando o envio para Embrapa.  “As inspeções do IBAMA não são apenas  para cobrar, ao contrário, são muito enriquecedoras, pois há uma troca de experiências e conhecimentos com os técnicos que visitam empreendimentos com atividades de PRAD em todo o Brasil”, comenta Edvaldo dos Santos (COAMA.M).

“A Vanilla calyculata Schltr é uma das poucas espécies de baunilha que vegetam em ambientes áridos, muito secos, como as caatingas arbóreas da Bahia”, esclareceu o pesquisador da Embrapa, Luciano de Bem Bianchetti, muito entusiasmado com a descoberta. “Até o momento, a coleta dessa espécie (V. calyculata) é a primeira a ser registrada para o Brasil”, detalhou o pesquisador.

O Banco de Germoplasma da Embrapa tem como um dos objetivos formar uma coleção de material genético da flora brasileira, visando conservar e agregar valor ao material colecionado. No caso da Vanilla, o pesquisador apontou que uma das principais dificuldades nos estudos é a identificação desses materiais. “Geralmente são raras as populações encontradas; quando encontradas, o número de indivíduos é reduzido; as plantas florescem pouco; as flores possuem uma duração muito pequena (muito efêmeras). Por todos esses motivos, existem poucos materiais de herbário completos, ou seja, com material vegetativo (caules e folhas) e reprodutivo (flores) representados que permitam uma identificação mais efetiva e segura”,  explicou.

Baunilha: espécies e usos

Espécie Vanilla calyculata Schltr no Brasil. Foto: divulgação INB.

Espécie Vanilla calyculata Schltr no Brasil. Foto: divulgação INB.

Popularmente conhecida como baunilha: do espanhol vainilla, que significa “pequena vagem”, os exemplares identificados pertencem à família Orchidaceae e ao gênero Vanilla. O pesquisador Luciano de Bem Bianchetti afirma que, embora o gênero integre várias espécies, nem todas apresentam as propriedades aromáticas. “Desse montante, cerca de 30-35 possuem a característica aromática e, dessas, a grande maioria tem origem americana. Uma delas, Vanilla planifolia, é a principal espécie aromática cultivada representando 95% de toda a baunilha cultivada no mundo”, contabiliza.

O pesquisador lembra que a baunilha é amplamente utilizada na culinária, e chega a ser considerada o segundo tempero mais caro do mundo, perdendo apenas para o açafrão verdadeiro (estígma da flor de Crocus sativus L.). Segundo Luciano, dados retirados da bibliografia específica registram que a oferta mundial de baunilha é capaz de suprir apenas 8-12% da demanda internacional.

Desafios do cultivo dessa espécie 

Segundo o pesquisador Luciano de Bem Bianchetti, no Brasil não há tradição no cultivo dessas espécies e nem no processo de cura de seus frutos. “São registrados até o momento , em Goiás Velho, por exemplo, a utilização de frutos de baunilha para uso medicinal e a utilização como aromatizante de cachaças”, exemplificou. No sudoeste da Bahia, também pode ser observado o uso como aromatizante de cachaça.

Além da falta de tradição e de conhecimento para o cultivo da baunilha, a pequena variabilidade genética das espécies aromáticas cultivadas acarreta em grandes desafios para sua reprodução. “Como grande parte das Vanilla cultivadas são clones, isso aumenta a suscetibilidade a doenças”, explicou.

Bibliografia utilizada:

– Soto Arenas, M.A.; Dressler, R.L. 2010. A revision of the Mexican and Central American species of Vanilla Plumier ex Miller with a characterization of their ITS region of the nuclear ribosomal DNA. Lankesteriana 9(3):285-354.

– Soto Arenas, M.A.; Cribb, P. 2010. A new infrageneric classification and synopsis of the genus Vanilla Plum. ex Mill. (Orchidaceae: Vanillinae). Lankesteriana 9(3):355-398.

Fonte: Ascom INB

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