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Projeto internacional de aquicultura: centros de pesquisa brasileiros participam do consórcio

Embrapa participa do consórcio por meio de quatro centros de pesquisa: Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), Tabuleiros Costeiros (Aracajú-SE), Meio Norte (Teresina-PI) e Amazônia Ocidental (Manaus-AM). Foto: divulgação.

Embrapa participa do consórcio por meio de quatro centros de pesquisa: Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), Tabuleiros Costeiros (Aracajú-SE), Meio Norte (Teresina-PI) e Amazônia Ocidental (Manaus-AM). Foto: divulgação.

Mais de cem novos protótipos em aquicultura foram apresentados em reunião on line, quando pesquisadores e produtores do setor, ao redor do Atlântico, compartilharam os resultados de um ano do projeto AquaVitae, financiado pela União Europeia. Os protótipos são os primeiros resultados da colaboração realizada entre empresas e pesquisadores do setor aquícola no projeto. A Embrapa participa do consórcio por meio de quatro centros de pesquisa: Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), Tabuleiros Costeiros (Aracajú-SE), Meio Norte (Teresina-PI) e Amazônia Ocidental (Manaus-AM). A empresa está desenvolvendo pesquisas que contemplam duas espécies de peixes de água doce (tambaqui e pirarucu), ostras e cultivo multitrófico integrado, além de temas transversais, como política e governança, economia e marketing, sensores e gestão de dados.

Para Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de P&D da Embrapa Pesca e Aquicultura, o balanço do primeiro ano do projeto foi positivo, principalmente pelo estabelecimento das parcerias. “Criamos uma parceria muito positiva com a Unesp, de Jaboticabal, e com a própria Nofima (Instituto de Pesquisa Norueguês de Alimentos, Pescado e Aquicultura), que é coordenadora do projeto. Sem contar com a aproximação com outros centros da Embrapa e as oportunidades de relacionamento com outras instituições que fazem parte do consórcio, mesmo que não tenhamos ações diretamente relacionadas com elas. Tudo isso facilita o estabelecimento de parcerias para projetos futuros”, destaca ele.

Philip James, coordenador do projeto e cientista do centro de pesquisa norueguês Nofima, concorda. “Acredito que o primeiro ano do AquaVitae transcorreu de forma satisfatória. As soluções de inovação serão desenvolvidas mais ainda ao longo do projeto, mas tivemos um ponto de partida excelente,” diz.

Routledge também ressalta a importância do aprendizado na gestão e entendimento de execução de um projeto com financiamento da comissão europeia, cujo método de trabalho é muito diferente do padrão brasileiro. “Sem dúvida, o saldo é muito positivo, embora a nossa primeira reunião anual tenha sido adiada pelo coronavírus. O evento teve de ser on line para compensar de alguma forma. Agora é dar sequência para alcançar os resultados nos próximos três anos”, detalha ele, que não descarta a necessidade do pedido de prorrogação por conta de atrasos em experimentos, provocados pela Covid-19.

O objetivo principal do projeto é aumentar a produção aquícola, por meio de pesquisas ao longo de quatro anos. Foto Janaina Kimpara / divulgação

O objetivo principal do projeto é aumentar a produção aquícola, por meio de pesquisas ao longo de quatro anos. Foto Janaina Kimpara / divulgação.

O AquaVitae é o maior consórcio científico já realizado para estudar a aquicultura no Atlântico e no interior dos continentes banhados por esse oceano. Orçado em oito milhões de euros (equivalente a 50 milhões de reais), financiados pelo programa Horizon 2020, da União Europeia, o projeto reúne 35 parceiros da indústria de pescado e da pesquisa de 15 diferentes países espalhados por quatro continentes. No Brasil, além da Embrapa, também participam instituições de ensino reconhecidas na pesquisa aquícola, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), além da a empresa de aquicultura orgânica Primar Aquacultura.

O objetivo principal do projeto é aumentar a produção aquícola, por meio de pesquisas ao longo de quatro anos. “Isso se dará, principalmente, pelo desenvolvimento de novas espécies de nível trófico (alimentar) baixo, que estão na base da pirâmide alimentar, como as algas e moluscos, por exemplo”, explica Lucas Torati, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), um dos coordenadores do Aquavitae no Brasil. Com isso, os cientistas pretendem trabalhar em sistemas nos quais sejam reduzidos os desperdícios com cada nível trófico utilizando resíduos de outro.

“Por exemplo, ao se colocar, em um mesmo sistema de produção, um peixe carnívoro com outro filtrador, o resíduo de ração deixado pelo carnívoro vai ser nutriente para as algas que, por sua vez, serão consumidas pelos peixes filtradores. Um sistema de produção diferente, chamado de multitrófico”, ilustra Torati.

Uma conferência virtual ao redor do Atlântico

A reunião anual iria ocorrer originalmente em Florianópolis, Brasil. Contudo, devido à pandemia do Covid-19, os 80 participantes tiveram que se reunir virtualmente. A conferência durou três dias, no final de março, e incluiu um workshop com representantes da cadeia produtiva brasileira, cujo objetivo era apoiar um aumento nas colaborações de pesquisa entre Europa e Brasil.

Outros participantes incluíram a Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR), a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura (SAP/MAPA), o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e produtores aquícolas. A reunião também contou com representantes do setor aquícola da África do Sul.

Elisângela Santos (19.500 MTb-RJ)
Embrapa Pesca e Aquicultura

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