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Coronavírus: o risco de contaminação é maior nas intervenções odontológicas

Entrevista: Dr. Robério Alves Neves | Por: João Martins

Nesses tempos de pandemia do novo coronavírus, os riscos para quem precisa se submeter a intervenções odontológicas são mais eminentes tanto para os dentistas quanto para os pacientes. Diante à necessidade de se buscar esse tipo de atendimento é preciso observar atentamente as condições a que será submetido e os cuidados de higienização nos consultórios, uma vez que ambos serão excessivamente expostos à contaminação viral.

Para melhor conhecer esses riscos e se precaver quando se buscar um atendimento, entrevistamos o dentista Robério Ales Neves.

INTEGRAÇÃO – Dr. Robério, os dentistas são profissionais da saúde que mais se enquadram no grupo de alto risco em relação à contaminação pelo coronavírus.  Como tem sido a convivência profissional e o trabalho dos odontólogos nesses tempos de pandemia do novo coronavírus?

dr Roberio NevesDr. Robério – Realmente o dentista corre esse risco. Acontece que a caneta [instrumento de alta rotação] solta um spray direto com a saliva do paciente, provocando uma pulverização do vírus por até três metros onde o dentista trabalha. Mas, normalmente nós dentistas já temos uma preparação não só para atender no caso do coronavírus, mas também em risco de outros vírus, de outras bactérias. Existe já um protocolo de atendimento, e com essa pandemia de agora nós aumentamos ainda mais esse protocolo a nível de cuidados com os pacientes: no distanciamento das pessoas, atender pessoas com hora marcada, esterilização das salas a cada duas horas, com antisséptico e álcool-gel; uso de máscara em funcionários e clientes e manter o cuidado de higienização na recepção a cada duas horas, fazer higienização da cadeira a cada paciente que atender etc, porque esse vírus tem uma virulência muito grande. A gente está na linha de frente, e está preparado para atender. Acredito que logo logo teremos uma vacina, e aí agente poder ser os primeiros a serem vacinados.

INTEGRAÇÃO – Em Guanambi – cidade polo regional de saúde do sudoeste da Bahia – felizmente a incidência do Covid-19 tem sido pequena. As restrições impostas têm sido coerentes e satisfatórias para um atendimento seguro na área odontológica?

Dr. Robério – Eu acho que ocorreu um valor exacerbado no início, porque Guanambi não tinha nenhum caso quando foi decretado o fechamento da cidade. Acho que não haveria necessidade de fechar a cidade naquela hora; fecharam na hora errada. Agora, depois que vieram os casos de fora, aí sim, deveria controlar as entradas da cidade e monitorar todas as empresas, todas as pessoas que chegassem de fora. Não tiveram os cuidados mais necessários para se evitar a entrada do vírus em nossa cidade.

INTEGRAÇÃO – Na sua área, especificamente, já foi registrado algum caso de contaminação pelo novo coronavírus entre os profissionais ou seus clientes?

Dr. Robério – Não, felizmente não foi registrado nenhum caso, nem com os professionais nem com clientes. O índice de infestação em Guanambi tem sido baixo, somente com funcionários de algumas empresas que trabalham em expansão de rede de distribuição de energia, vindos de fora da região. Guanambi está relativamente tranquila e, se Deus quiser, vamos sair fora disso muito em breve. Estamos com dois hospitais montados, que acho que nem vão ser utilizados. Acho até que houve desperdício de dinheiro público.

INTEGRAÇÃO – Na sua clínica, especificamente – onde se tem observado um volume significante de atendimento – tem-se adotado alguns cuidados sanitários específicos ou se tem seguido o protocolo da Agência da Saúde contra o coronavírus?

Dr. Robério – Melhorei o protocolo muito. Na minha clinica, da porta pra dentro tudo é esterilizado. Até contratei mais pessoal para atuar na esterilização e desinfeção. Hoje trabalho com duas secretárias. Quanto ao número de pacientes, tenho procurado reduzir. Separei e isolei as cadeiras e dispomos o álcool-gel na recepção. Cumprimos um protocolo bastante rígido.

INTEGRAÇÃO – Os EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais) têm sido disponibilizados ao dentista e profissionais da saúde no enfretamento dessa pandemia?

Dr. Robério – Não teve qualquer apoio por parte do Estado com relação a isso. Eu acho até que esse dinheiro – que está sendo gasto até de forma desnecessária – poderia está sendo utilizado para dar reforço nas clínicas médicas e odontológicas, nos laboratórios onde se tem muito contato com muita gente. O estado e o município poderiam ter entrado aí dando apoio com os EPIs para se evitar a disseminação.

INTEGRAÇÃO – Como tem sido feito o agendamento para o atendimento e que orientação sua clínica sugere ou exige de quem busca atendimento odontológico?

Dr. Robério – Eu atendia por ordem de chegada, mas hoje, quando o paciente chega e grande quantidade, agente pede para retornar depois, porque não deixamos mais que dois ou três pacientes na recepção. Aí a gente pede para voltar depois de uma ou duas horas e já com a vaga garantida. Esse protocolo tem que ser cumprido.

INTEGRAÇÃO – Durante esses dias de quarentena tem-se disponibilizado algum tipo de atendimento odontológico domiciliar (Home Care) ou virtual?

Dr. Robério – O atendimento a gente sempre faz. A gente sempre está disponível, também por telefone, para atender em algum inconveniente. Em Guanambi, que eu saiba, não existe nenhum serviço de atendimento em home care nessa área odontológica. No entanto, se houver a necessidade de um atendimento urgente, estamos pronto para socorrer, afinal estamos aqui para servir as pessoas.

*Dr. Robério Alves Neves é cirurgião dentista, especialista em Ortopedia Facil e Ortodontia. Ele atendente em Guanambi.

 

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