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Umbu-gigante a R$ 6,00 /kg: agricultor familiar apura lucro com produção precoce em Candiba

Valdemiro deverá colher nesta safra cerca de 5000kg do fruto. Toda a produção é comercializada no próprio sítio, ao preço de R$ 6,00/kg, e as mudas custam R$ 20,00. Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Valdemiro deverá colher nesta safra cerca de 5000kg do fruto. Toda a produção é comercializada no próprio sítio, ao preço de R$ 6,00/kg, e as mudas custam R$ 20,00. Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Já conhecida de muitos, até nacionalmente, a produção agrícola de umbu-gigante na região de Guanambi, no sudoeste baiano, inicia a sua fase de colheita, que se estende de dezembro a março.

Segundo pesquisa da Embrapa, por se tratar de uma espécie que ocorre espontaneamente na natureza, o umbuzeiro leva de 15 a 20 anos para produzir seus primeiros frutos. Mas, diferente dessa constatação, variantes, geneticamente melhoradas, cultivadas na região de Guanambi (BA), estão produzindo a partir de 2,5 anos de plantadas. A precocidade vai depender de fatores, como: seleção das mudas, época do plantio (obedecendo calendário lunar) e tempo e frequência da irrigação das mudas, explica o técnico agrícola Nelbino Alves Marques, idealizador e responsável pela implantação do projeto “imbu-gigante” no município de Candiba, quando de sua atuação como secretário da Agricultura daquele município, 10 anos atrás.

Proprietário de um pequeno sítio de 3,5 hectares, o agricultor familiar, Valdemiro Oliveira Meneses, 53 anos, é só sorrisos quando fala do seu projeto de cultivo de umbu-gigante, uma variedade, geneticamente modificada, que tem agradado aos consumidores tanto pelo sabor quanto pela qualidade e riqueza nutritiva do fruto.

Valdemiro começou seu projeto há cerca de 10 anos, por orientação e acompanhamento de Nelbino Marques. Na época, o secretário – que é técnico agrícola – coordenou a distribuição de 25 mudas da selecionada variedade frutífera para cada agricultor familiar do seu município, como projeto piloto de um inovador programa social para garantir renda às famílias agrícolas.

Nelbino Marques é o autor e orientador do projeto "umbu-gigante". Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Nelbino Marques é o autor e orientador do projeto “umbu-gigante”. Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Poucos foram os que acreditaram no projeto de Marques, dentre os quais Valdemiro Oliveira, proprietário do sítio Olho D’água, do distrito de Pilões. Hoje ele contabiliza mais de 250 pés de umbu plantados, com idades que variam, ocupando uma área de cerca de 1,5 hectare. Dessas, cerca de 100 árvores já estão produzindo: algumas chegam a 200kg/safra de fruto cada, outras variam de 15kg a 80kg.

A produção de umbu do sítio Olho D’água desta safra (que vai dezembro a março) deverá aproximar dos 5000 kg, avalia Valdemiro. Os primeiros frutos começaram a ser colhidos dia 25 de dezembro e deverá se estende até o começo de março.

Concomitantemente ao cultivo, o agricultor, que divide as tarefas na roça com sua esposa, Neusa Oliveira, 47 anos, e seu filho André, de 26, produz entre 2.500 a 4.500 mudas por ano. Isso garante à família mais uma receita que passa dos R$ 50 mil anuais.

Toda a produção é comercializada no próprio sítio, ao preço de R$ 6,00/kg, e as mudas são vendidas a R$ 20,00. “Nunca precisei sair daqui para oferecer a ninguém. As pessoas vêm comprar aqui, e os frutos a gente tira na hora. Vendemos também para umas empresas concessionárias de veículos de Salvador, que praticamente têm comprado a maior parte da nossa produção”, disse o agricultor.

Na sua simplicidade de homem da roça, Valdemiro, esposa e filho atendem a quantos os visitam com cordialidade e sempre alegres. “Quanto vendemos ou produzimos, isso eu deixo na revelação de Deus, não gosto de calcular antes”, declara. Mas pelos nossos cálculos, o sítio de Valdomiro produz somente com o cultivo de umbu-gigante mais de R$ 100 mil/ano, ocupando uma área de cerca de 1,5 hectare.

Renda certa e pouco investimento

Um fruto normal pesa de 20 a 30gs, enquanto uma unidade da variedade gigante pode chegar a 200gs.

Um fruto normal pesa de 20 a 30gs, enquanto uma unidade da variedade gigante pode chegar a 200gs.

Para os que desejarem investir nesse tipo de cultura, o especialista no assunto, Nelbino Marques, calcula que para se formar um pomar de umbuzeiros, os investimentos podem variar de R$ 2 mil a R$ 8 mil por hectare, a depender do sistema de irrigação, se manual ou irrigado, necessário para os primeiros 12 a 18 meses da plantação. “O terreno não precisa ser corrigido ou trabalhado, pois a cultura se adapta perfeitamente às condições topográficas e natureza do nosso solo de semiárido e caatinga”, disse.

Industrialização nos planos futuros

Na visão de Nelbino Marques – que atualmente exerce o mandato de vereador por Candiba, e que já foi várias vezes secretário municipal – seu desejo como idealizador e propulsor do projeto “umbu-gigante” é criar, futuramente, uma estrutura agroindustrial para agregar valor a esse tipo de produto agrícola, para que possa melhorar a renda familiar dessas comunidades rurais. ”O projeto “umbu-gigante”, depois do sucesso de Valdemiro, vem sendo abraçado por vários outros produtores do nosso município, o que nos dá a certeza do sucesso do nosso projeto”, disse Marques.

Origem e variações do umbuzeiro

Elcino Oton Teixeira, do distrito de Ceraíma (Guanambi) é o pioneiro na multiplicação da variedade umbu-gigante neta região da Serra Geral da Bahia. Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Elcino Oton Teixeira, do distrito de Ceraíma (Guanambi) é o pioneiro na multiplicação da variedade umbu-gigante neta região da Serra Geral da Bahia. Foto: João Martins / Arq. Revista Integração.

Fruto comum das regiões de semiárido do Nordeste brasileiro, mais abundante na Bahia, incluindo a região norte de Minas Gerais, uma variedade de umbu-gigante tem despertado interesse de grupos de agricultores familiares, dado ao melhoramento genético desenvolvido por empresas de pesquisa, como a Embrapa, e por agricultores individuais da região, a exemplo de Elcino Oton Teixeira, do distrito de Ceraíma (Guanambi) e Valdemiro Oliveira Menezes, de Pilões (município de Candiba).

Parente do cajueiro, o umbuzeiro é encontrado nos chapadões de semiáridos do Nordeste brasileiro, nas regiões do Agreste (Piauí), Cariris (Paraíba) e Caatinga (Pernambuco e Bahia), a planta é encontrada mais no Piauí, Bahia, e região Norte de Minas Gerais.

Segundo a Embrapa, por se tratar de uma espécie que ocorre espontaneamente na natureza, o pé de umbu leva de 15 a 20 anos para dar início à produção de frutos. Mas, diferente dessa constatação, variantes, geneticamente melhoradas, cultivadas nesta região Sudoeste da Bahia, estão produzindo a partir de 2,5 anos de plantadas. A precocidade vai depender de alguns fatores, como: escolha das mudas, época do plantio, tempo e frequência da irrigação das mudas, explica o técnico agrícola Nelbino Alves Marques, idealizador e responsável pela implantação do projeto “imbu-gigante” no município de Candiba, quando de sua atuação como secretário da Agricultura daquele município, 10 anos atrás.

Para contato com Valdemiro o telefone é (77) 98147-0196 (WhatsApp)

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