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Caetité: de Princesa do Sertão em 1810 a polo produtor de Urânio, Ferro e Ametista hoje

divulgação PMC

 

Separada da capital do Estado (Salvador) por 645 km e contabilizando aproximadamente 52.500 habitantes, o município de Caetité não para de contabilizar suas riquezas, seja na área do agronegócio ou na indústria da mineração; destacando-se o minério de ferro (Bahia Mineração – Bamin), ametistas (Minas do Paraguai e Soriano) e ainda a Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, única a produzir o concentrado U3O8 no país, empresa estatal que abastece as Usinas Nucleares do Brasil de Angra I e II.

Polo agropastoril já nos anos de 1800, Caetité era símbolo da abastança econômica e da burguesia que imperava neste serão do Médio São Francisco. Foto: Acervo histórico PMC.

Polo agropastoril já nos anos de 1800, Caetité era símbolo da abastança econômica e da burguesia que imperava neste serão do Médio São Francisco. Foto: Acervo histórico PMC.

Destaque na política, nas Artes e na Educação

No transcorrer dos últimos dois séculos, a cidade de Caetité tem sido polo cultural do sertão da Bahia: terra natal de figuras políticas como Cezar Zama, Dr. Deocleciano Teixeira, Ovídio Teixeira e César Borges (senadores da Republica), Aristides Spínola (governador de Goiás), Rodrigues Lima e Paulo Souto (governadores da Bahia), Anísio Teixeira e Prisco Viana (ministros de estado). Na área político-cultural, além de Haroldo Lima, Waldick Soriano, a cidade é berço de figuras como do jornalista João Gumes, Nestor Duarte, a pintora Lucília Fraga, os escritores Marcelino Neves, João Gumes, Nicodema Alves, Erivaldo Fagundes Neves e muitos outros que têm notabilizado a Caetité dos tempos modernos.

A vila e Caetité teve grande influência nas luta pela independência da Bahia, porisso, até os diasde hoje, o 2 de Julho e comemorado na cidade. Foto Arquivo Rev Integração Bahia

A vila de Caetité teve grande influência nas luta pela independência da Bahia, por isso, até os dias de hoje, o 2 de Julho é comemorado na cidade. Foto Arquivo Rev Integração Bahia

Caetité na história da Bahia

Tão logo emancipou-se, a vila do Príncipe e Santana de Caetité participou indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, apoiando o então Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo Baiano, Caetité tornou-se uma espécie de Quartel-General para apaziguar os mata-marotos, grupo de nacionalistas brasileiros que se debelava contra os portugueses, contenda essa que se seguiu durante 1823, cuja demanda foi sucumbida pelo Major Silva Castro, o Major Periquitão, avô do poeta Castro Alves.

A devoção a Santa Santa Ana, padroeira da cidade, é a razão de tanta união de sua gente. Foto Diocese / divulgação

A devoção a Santa Santa Ana, padroeira da cidade, é a razão de tanta união de sua gente. Foto Diocese / divulgação

Princesa de Sertão

Por sua influência política e econômica na Bahia, Caetité, berço natal do educador Anísio Teixeira, foi escolhida para sediar a primeira Escola Normal do Interior baiano, pelo então diretor-geral de Instrução Pública da Bahia, do Governo Góes Calmon. O propósito do educador era descentralizar o Ensino; por isso escolheu Caetité como Centro Sertanejo em matéria de ensino público.

A inauguração da Escola Normal aconteceu no dia 21 de abril de 1926, com a presença do próprio Dr. Anísio, em meio a grande festa, na esperança de que dela saíssem mestres “com nova mentalidade pedagógica”.

Contribuições Diocesanas

Palco de grande influência católica apostólica romana, Caetité teve sua diocese instalada em 1915, sendo empossado o bispo dom Manoel Raimundo de Melo. Foi um fator de importante desenvolvimento da cidade, destacando-se a construção do Seminário São José e a Rádio Educadora Santana. A cidade ganhou o primeiro aeroporto do sertão baiano e o clube social Círculo Operário, dentre outros benefícios sociais, por influência da elevação da paróquia em diocese.

Espaço INB de Cultura

Inaugurado há 12 anos (2010), o Espaço INB de Cultura, Ciências e Tecnologia, instalado num oponente sobrado de estilo colonial do século 18, restaurada pela INB, é uma das importantes contribuições da empresa mineradora para com a comunidade de Caetité, que faz parte do Programa de Inserção Regional, aprovado pelo Licenciamento Ambiental conduzido pelo Ibama, e engloba atividades de Comunicação Social, Responsabilidade Social e Educação Ambiental.

Espaço INB - arq.Revist IntegraçãoEm homenagem aos 212 anos de Caetité, o Espaço INB reabre suas portas ao público, nesta terça-feira (05/04), das 14 às 17 horas, juntamente com a programação “Ocupa Praça” que está sendo conduzida pela prefeitura do município. Na programação, o Centro Cultural está oferecendo visitas guiadas às exposições sobre a História de Caetité, Exposição Fotográfica Caetité: um lugar, vários olhares, a Mineração na Bahia, a Matriz Energética Brasileira, o Ciclo do combustível Nuclear, com ênfase no beneficiamento do Urânio em Caetité e as ações de radioproteção e meio ambiente conduzidas pela INB na região.

Filhos ilustres

Conhecida por sua educação e foco civilizador, Caetité foi berço de grandes personalidades da história estadual e nacional, como Cezar Zama (parlamentar, historiador), Plínio de Lima (poeta, colega e amigo de Castro Alves), Aristides Spínola (advogado, governador de Goiás 1879-80), Joaquim Manoel Rodrigues Lima (primeiro Governador eleito da Bahia) e seu irmão, Antônio Rodrigues Lima, Anísio Teixeira (pedagogo), Joaquim Spínola (fundador da Revista dos Tribunais), Nestor Duarte (jurista, escritor), Paulo Souto (Governador da Bahia 1994-98; 2002-06), Prisco Viana (político, ex-ministro da Previdência Social), Haroldo Lima (político, ex-Diretor Geral da Agência Nacional do Petróleo, cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira), Aldovandro Chaves (advogado, cônsul honorário e poeta), a pintora Lucília Fraga e seus parentes Afonso e o jurista Constantino Fraga, o músico, compositor e cantor romântico Waldick Soriano (falecido em 2008), autor de mais de 500 canções.

Casa da Câmara e Cadeia – primeira sede do legislativo caetiteense, atualmente, se encontra no antigo salão nobre da Escola Normal. A Câmara se instalou nas salas do primeiro andar do sobrado, onde também funcionou o Tribunal do Júri. Arquivo

Casa da Câmara e Cadeia – primeira sede do legislativo caetiteense, atualmente, se encontra no antigo salão nobre da Escola Normal. A Câmara se instalou nas salas do primeiro andar do sobrado, onde também funcionou o Tribunal do Júri. Arquivo

Instalação da Primeira Câmara de Vereadores

A instalação da primeira Câmara Municipal da Vila Nova do Príncipe e Santana de Caetité e posse dos primeiros Vereadores foi no dia 09 de abril do ano de 1810. Foram empossadas também outras autoridades para comandar os destinos da Vila Nova de Caetité, como Juízes, Procurador e o Escrivão. Desta forma, a Câmara de Vereadores foi constituída das seguintes personalidades: Juízes, Antônio Caetano Vilasboas e Francisco de Brito Gondim; Vereadores, José Domingues da Silva, Manoel da Silva Pereira e José Joaquim Ribeiro; o Procurador Antônio de Souza Maciel e o Tabelião Nicolau de Souza Costa. A primeira sessão ordinária da Câmara de Vereadores, porém, só foi realizada no dia 14 de abril.

 

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