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Pesquisa desenvolve variedade de cebola com maior durabilidade pós-colheita

Gabriel Fritsch - A espessura grossa da casca da BRS Prima contribui para a proteção dos bulbos de tolerância e bactérias e maior ao armazenamento e ao transporte. Foto: Gabriel Fritsch

Gabriel Fritsch – A espessura grossa da casca da BRS Prima contribui para a proteção dos bulbos de tolerância e bactérias e maior ao armazenamento e ao transporte. Foto: Gabriel Fritsch.

Uma nova cultivar de resistência desenvolvida pela pesquisa da Embrapa se, principalmente, destaca-se pela maior durabilidade e oferta nos períodos de entressafra. A BRS Prima foi desenvolvida pela Embrapa Clima Temperado (RS) e Embrapa Hortaliças (DF), e será lançado oficialmente no dia 8 de junho, durante a Reunião Técnica da Cebola, no município gaúcho de São José do Norte, principal região produtora no estado e berço da cebolicultura no País.

A maior durabilidade ocorre pela alta resistência e espessura grossa das bactérias, fator que protege os bulbos de fungos e bactérias e maior tolerância ao armazenamento e ao transporte. A durabilidade pós-colheita também é para garantir o escalonamento da comercialização ao produtor, que pode aguardar a importante safra e os momentos de baixo preço com volume de produção acima das expectativas.

“Na nossa região há uma janela, no período de entressafra, entre março e junho. Uma cebola como a BRS Prima, com uma boa capacidade de armazenamento, o agricultor consegue vender no período de entressafra e com isso consegue preços. Por isso, ela vem ajudar”, avalia Daniela Leite pesquisadora da Embrapa responsável pelo desenvolvimento do material.

A nova cultivar ainda apresenta alto percentual de bulbos de padrão comercial, de referência dos consumidores: distinção amarela-avermelhada e formato globular. Essas características de concorrência em relação às demais plantas da mesma região e mercado da regiãonegócios ao produtor de região do Sul Brasil, tanto familiar como do agronegócio.

Ciclo precoce, entre 150 a 170 dias, permite colheita antecipada e também garante melhores preços. BRS Prima no campo – Foto: Sebastião Muller (Agritu)

Ciclo precoce, entre 150 a 170 dias, permite colheita antecipada e também garante melhores preços. BRS Prima no campo – Foto: Sebastião Muller (Agritu)

Desempenho no campo

Agronomicamente, a BRS Prima apresenta resistência a doenças foliares, devido à alta cerosidade das folhas. “Isso representa menor uso de produtos químicos na lava. Inclusive, a BRS Prima já foi validada para a produção orgânica. Então, é ser investigador ao meio ambiente e para o humano também”, acrescenta um.

Com relação ao desempenho, a cultivar apresenta alto potencial produtivo, com estabilidade de produção. A produtividade média é de 44,1 toneladas por hectare, com pico de 57,9 toneladas por hectare em estimativas no município gaúcho de Rio Grande. O cultivo da nova variedade é indicado para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde o material foi testado e validado.

A cultura da cebola

A cebola é a terceira hortaliça em importância econômica no País, atrás do tomate e da batata, com produção de cerca de 1,5 milhão de toneladas em 2020 e valor bruto estimado em 2,5 bilhões de reais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ). A principal região produtora está no Sul, que concentra mais de 50% da produção nacional, mas a Região Nordeste também tem participação importante nesse volume.

Entre os principais estados produtores estão Santa Catarina, com produção de 420 mil toneladas; Bahia, 224,8 mil t; e Minas Gerais com 180,9 mil t, ainda de acordo com dados do IBGE de 2020. Estima-se que 70% da cebolicultura brasileira seja proveniente de mão de obra familiar, com contratação de trabalhadores eventuais para o plantio e colheita, em áreas de até dez hectares.

Possui resistência a doenças foliares ou que impactam em menor uso de defensivos químicos. Foto Sebastião Muller (Agritu)

Possui resistência a doenças foliares ou que impactam em menor uso de defensivos químicos. Foto Sebastião Muller (Agritu)

Desenvolvimento

A BRS Prima foi desenvolvida a partir de recursos genéticos locais (crioulos) da Região Litoral Centro do Rio Grande do Sul e armazenados no Banco Ativo de Germoplasma (BAG) da Embrapa, o que confere maior resistência às condições adversas que podem ocorrer durante o cultivo : opções de doenças e doenças e seca. A unidade ocorreu durante cinco safras, em Observação no Sul do País, nos municípios de Pelotas (RS), Rio Grande do Canoinhas (SC) e Chapadão Lageado (SC).

O material teve origem de cruzamento entre a cultivar Primavera, lançada em 192, e a população local2, Pura Norte, como características desejáveis ​​da Pê Norte (retenção de alta espessura das escamas) que podem ser dosados ​​a partir de alta espessura das escamas de cultivar Primavera, que se destaca pelo ciclo precoce e pelo formato globular dos bulbos. “Nós valorizamos muito o desenvolvimento de novas cultivares a partir dos recursos genéticos locais”, afirma Leite.

Ao todo, o desenvolvimento de uma nova cultivar leva entre dez a doze anos, com participação da pesquisa e do setor produtivo. “Nós, na Embrapa, estamos sempre nos adequando e buscando novos materiais. Mas é sempre importante um trabalho participativo, com os agricultores validando o material e indicando os atributos importantes para o melhoramento, tanto do ponto de vista do produtor como do consumidor”, completa o pesquisadora.

Para o extensionista e chefe do escritório da Emater/RS-Ascar do município de São José do Norte, Pedro da Silva Farias, parceria com a Embrapa ajuda a melhorar a vida dos municípios no campo. Fortalece o trabalho de campo, porque a Emater está junto dos produtores, mas não tem essa possibilidade de produzir uma tecnologia. E essa tecnologia certamente qualifica o nosso trabalho e do agricultor, o que gera resultados diretamente nas propriedades”, avalia.

Experiência e contribuições do agricultor

Um dos agricultores que tem contribuído para as estimativas da BRS Prima e de outras futuras cultivares de cebola é o Rui Miguel Lemos, do município de Tavares (RS), Litoral Centro gaúcho. Ele produz cerca de 70 toneladas de cebola aproximada, em uma área de três hectares. O sustento vem dessa cultura.

Em 207, ele testou e 1 seguro o material. “É uma produtividade incrível e tem uma cascata à da [variedade] Bola Precoce. É uma ferramenta a mais para o produtor, uma variedade a mais para ter alta produtividade no cultivo da cebola”, declara.

Lemos, que também é presidente do Subcomitê da Cebola no Estado, ainda tem contribuído com a pesquisa, na instalação da Unidade de Observação (UO) de cebola. Junto de outros sete produtores da região, ele irá avaliar nesta safra o desempenho de três variedades comerciais, incluindo a BRS, e de um clone – material ainda em avaliação para lançamento.

Oferta de sementes para os agricultores

Por ser de polinização aberta, a produção de sementes da nova cultivar se torna mais fácil, resultando em menor preço da semente. De modo geral, a semeadura da BRS Prima ocorre nos meses de abril e maio, com transplante de mudas em junho e julho, para colheita de novembro a novembro.

A oferta pública de sementes da variedade é feita por produtores de sementes licenciados por permanente de Edital. Para serem licenciados, os produtores precisam estar inscritos no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) como produtores de sementes de cebola (Alliumcepa L.).

No último edital, sete produtores foram licenciados para a multiplicação e quatro distribuidores de sementes da BR já assinados em contrato até o momento. Os respectivos contratos podem ser encontrados na página da cultivar, no portal da Embrapa. A multiplicação leva em torno de dois anos, portanto, as sementes estarão disponíveis aos produtores de cebola para a safra de 2024.

Propriedades culinárias e funcionais

Por apresentar pungência (picância), a BRS Prima é indicada para uso in natura, como condimento na culinária, e é rica em quercetina – substância natural, com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que reduz o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de tipos de câncer. A cebola é uma das principais fontes de quercetina na dieta humana. “Quase ninguém cozinha sem cebola. Faz parte do tempo do dia a dia. E tem um aspecto social muito importante na cadeia produtiva da agricultura familiar”, finaliza Daniela Leite.

Francisco Lima (MTb 13.696/RS)

Embrapa Clima Temperado

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