
Com menos de 2% dos profissionais do setor com conhecimento avançado da tecnologia, nova etapa é marcada pela criação de confrarias criativas para mentoria e oferta de vagas de trabalho. (Clipe cantora Ludmilla no The Town: uso da IA na criação / Montag-Divulgação)
Depois do boom de ferramentas como ChatGPT, Midjourney, Gemini e Adobe Firefly, o mercado criativo entra em uma nova era da Inteligência Artificial. Se o primeiro momento foi marcado pelo encantamento, pela experimentação e até pelo medo da substituição, a “fase 2” da IA começa a consolidar um uso mais técnico, estratégico e integrado aos fluxos de criação nas agências de propaganda, consultorias de branding, produtoras de vídeo e estúdios de fotografia.
A constatação é do designer e especialista em formação em IA, Bruno Deos, fundador da Montag School, escola brasileira dedicada à capacitação em Inteligência Artificial para o mercado criativo.
“A primeira onda foi a do barulho, do medo de sermos substituídos e dos testes rápidos com prompts prontos. Agora entramos na segunda fase, mais estrutural, em que as empresas não estão apenas usando ferramentas, mas reestruturando negócios”, afirma.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Montag School, há uma lacuna entre o interesse pela tecnologia e sua aplicação efetiva em processos reais. Entre maio e setembro de 2025, o levantamento ouviu 228 profissionais de 12 empresas de publicidade, branding, design e tecnologia.
Os resultados mostram que apenas 1,3% dos profissionais têm domínio avançado das ferramentas de IA; 86% se consideram iniciantes ou intermediários; e 12,7% afirmaram nunca ter utilizado IA, embora muitos já tenham tido contato indireto.
As ferramentas mais citadas pelos entrevistados foram ChatGPT (87,7%), Gemini (28,9%), Midjourney (18,4%) e Adobe Firefly (16,3%).
Na visão de Deos, o setor está saindo do estágio experimental para um momento de aprofundamento técnico e criativo. “A fase atual já não é mais de aprender o básico das ferramentas, mas de entender os bastidores dos projetos reais – as decisões criativas, as referências visuais, as etapas de execução e, principalmente, os resultados alcançados”, explica.
Essa maturidade tem impulsionado uma nova cultura de IA aplicada à direção criativa. Empresas de comunicação e marcas líderes em varejo, entretenimento e finanças estão integrando fluxos automatizados, utilizando IA em campanhas e produtos visuais com impacto real no negócio.
Da curiosidade à prática
Com base nessa demanda crescente, a Montag School lançou recentemente uma comunidade de aprendizado colaborativo voltada a profissionais que querem dominar a direção criativa com IA.
A comunidade reúne designers, publicitários, profissionais de marketing, produtores e fotógrafos, entre outros, em encontros quinzenais com mentores convidados, que apresentam os bastidores de cases reais — como a abertura do show de Pedro Sampaio no The Town, a capa do álbum de Ludmilla, as imagens criadas para a linha UNA, da Natura e projetos para Bluebank e Nubank.
A comunidade também oferece mentorias, trocas e acesso a vagas e projetos freelancers, conectando talentos e empresas que já utilizam IA de forma integrada em suas rotinas criativas.
“O objetivo é formar um ecossistema vivo de aprendizado e oportunidades. Queremos reunir quem já está produzindo com IA e quem deseja compreender a lógica dos processos criativos da nova era da IA”, explica Deos.
Profissionalização e novas funções
A segunda fase da IA também marca o surgimento de novas funções e competências no mercado. Os profissionais passam a atuar como diretores de IA criativa, curadores de datasets visuais e integradores de fluxos híbridos entre humano e máquina, entre outras profissões.
De acordo com Bruno Deos, a demanda não é mais apenas por “usuários de ferramentas”, mas por profissionais capazes de unir domínio técnico e pensamento estratégico.
“A IA deixou de ser uma experiência para virar infraestrutura. As empresas precisam de criativos que saibam conduzir processos, interpretar resultados e transformar tecnologia em valor de marca”, conclui.
Sobre o Montag Club: https://www.montag.school/montag-club
Informe à imprensa: Andrea Martins / Por: Palavra Criação e Produção


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