REVISTA DIGITAL

Guanambi . Bahia .
Você está aqui: Capa » Plantão de Notícias » Arquivo de Notícias » Febre amarela pode se espalhar com intensidade perto de metrópoles, revela estudo da USP

Febre amarela pode se espalhar com intensidade perto de metrópoles, revela estudo da USP

Pesquisa identifica expansão acelerada do vírus em áreas com presença de mosquitos e primatas,r que pode chegar a 8,2. Em termos práticos, isso significa que uma única infecção pode dar origem a mais de oito novos casos em condições favoráveis. (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) / Reprodução Linkedin)

Pesquisa identifica expansão acelerada do vírus em áreas com presença de mosquitos e primatas,r que pode chegar a 8,2. Em termos práticos, isso significa que uma única infecção pode dar origem a mais de oito novos casos em condições favoráveis. (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) / Reprodução Linkedin)

São Paulo, 16 de abril de 2026 – Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) traz novas evidências sobre o comportamento da febre amarela no Brasil. Publicada como destaque de capa da edição de abril da Nature Microbiology, a pesquisa mostra que o vírus pode se espalhar com intensidade muito maior do que se imaginava em regiões próximas a grandes cidades.

A investigação analisou a dinâmica da infecção em primatas na região metropolitana de São Paulo, onde áreas urbanas convivem com fragmentos de mata. Nesse cenário, os pesquisadores identificaram que o número básico de reprodução (R₀) — indicador que mede o potencial de transmissão — pode chegar a 8,2. Em termos práticos, isso significa que uma única infecção pode dar origem a mais de oito novos casos em condições favoráveis.

O dado chama atenção por superar estimativas anteriores e indicar que, mesmo fora do ambiente urbano clássico, a febre amarela pode atingir níveis elevados de disseminação.

A Profa. Dra. Ester Sabino, professora titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e uma das principais referências em doenças infecciosas no país, coordenou o estudo.

“A transmissão pode ser muito mais intensa do que se imaginava, especialmente em áreas de transição entre floresta e cidade. Isso mostra que, uma vez introduzido, o vírus encontra condições para se espalhar rapidamente, o que reforça a importância de estratégias de vigilância contínua e da vacinação preventiva”, afirma a Profa. Dra. Ester Sabino, da FMUSP.

UM VÍRUS, RÁPIDA DISSEMINAÇÃO
Outro achado importante da pesquisa é que surtos podem ser desencadeados por uma única linhagem do vírus, que se espalha rapidamente ao encontrar condições favoráveis — como alta densidade de mosquitos transmissores e presença de hospedeiros suscetíveis.

O estudo também reforça o papel dos primatas não humanos, como macacos, no ciclo da doença. Esses animais funcionam como amplificadores do vírus na natureza e, ao mesmo tempo, como um sistema de alerta precoce: a morte de primatas costuma ocorrer antes dos primeiros casos em humanos.

MONITORAMENTO INTEGRADO: UM NOVO CAMINHO
Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram diferentes estratégias: coleta de mosquitos em vários níveis da floresta, monitoramento de primatas, análise genética do vírus e modelagem epidemiológica. Essa abordagem integrada permitiu reconstruir com precisão como ocorre o chamado “spillover”, quando o vírus passa de animais para humanos.

CONEXÃO COM O PRESENTE
Os achados dialogam diretamente com desafios contemporâneos. A expansão das cidades sobre áreas naturais, somada às mudanças climáticas, tem aumentado o contato entre humanos, mosquitos e animais silvestres — criando condições favoráveis para a emergência de doenças.

Embora o Brasil não registre transmissão urbana de febre amarela há décadas, o estudo sugere que o risco de reemergência não pode ser descartado.

PREVENÇÃO DEPENDE DE ANTECIPAÇÃO
Para especialistas, o principal recado da pesquisa é a necessidade de agir antes que os surtos atinjam humanos. O monitoramento de primatas, aliado à vigilância de mosquitos e à análise genética do vírus, pode ajudar autoridades a antecipar campanhas de vacinação e conter a disseminação da doença.

Em um cenário de crescente pressão ambiental e urbana, a febre amarela deixa de ser apenas uma preocupação de áreas remotas e passa a exigir atenção também nas bordas das grandes cidades.

“Temos hoje ferramentas para identificar precocemente a circulação do vírus e agir antes que os casos em humanos aumentem. O desafio é transformar esse conhecimento em ações rápidas, especialmente na ampliação da vacinação em áreas de risco”, concluiu a Profa. Ester Sabino.
O artigo completo está disponível na Nature Microbiology (clique aqui)*

Fonte:  Assessoria de Imprensa – Faculdade de Medicina da USP

Comente esta matéria

O seu endereço de email não será publicado. Campos requeridos estão marcados *

*

Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser sobre o tema da matéria e sobre os comentários que surgirem. As mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas. Os que transgredirem essas normas poderão ter interrompido seu acesso a este veículo.

Scroll To Top