
Mensagem da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, tratou do tema “Inteligência Artificial na Agricultura de Precisão e Digital” no encerramento do ConBAP e da ICPA. ((Foto: Retratte fotografia / Divulgação)
Com 845 inscritos, incluindo cerca de 200 estrangeiros e 14 palestrantes, foi encerrado nesta quinta-feira (16) o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e a 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA). Realizados no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre (RS), os encontros também somaram 512 apresentações de trabalhos, entre orais e pôsteres, conduzidos por pesquisadores do Brasil e do exterior.
Na cerimônia de encerramento, a ISPA (International Society of Precision Agriculture) realizou a transição da sua diretoria, anunciando Davide Cammarano como novo presidente da entidade para o biênio 2026/2028. Já em sua fala final, o presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP), Márcio Albuquerque, agradeceu à confiança da ISPA em trazer a conferência para o Brasil. Após, foi realizada também a transição da nova diretoria da AsBraAP para o biênio 2026/2028, tendo à frente o novo presidente Christian Bredemeier.
A última palestra, realizada pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, tratou do tema “Inteligência Artificial na Agricultura de Precisão e Digital”. A dirigente avaliou que a inteligência artificial, aliada à conectividade e ao uso estratégico de dados, será decisiva para transformar a agricultura brasileira em uma atividade cada vez mais preditiva, sustentável e inclusiva.
Silvia ressaltou ainda que a expansão da agricultura de precisão representa uma oportunidade econômica para o país. Conforme estudos apresentados durante a palestra, a adoção mais ampla dessas tecnologias poderá acrescentar mais de R$ 11 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) agro e gerar mais de 400 mil empregos.
Ao abordar a evolução da agricultura brasileira, a presidente da Embrapa destacou que o setor vive uma nova fase de transformação. “Se, há cinco décadas, o principal desafio era garantir a segurança alimentar, hoje o foco está na construção de uma agricultura capaz de antecipar cenários, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas”, destacou.
Para Silvia, eventos extremos, como as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, evidenciam a importância de modelos preditivos baseados em inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados. A presidente da Embrapa também chamou atenção para o desafio da inclusão digital no campo.
Dados do projeto Semear Digital, desenvolvido pela Embrapa, mostram que 84% da população rural brasileira ainda não tem acesso às tecnologias digitais e que, entre aqueles conectados, a maior parte utiliza a internet apenas para comunicação. “Superar essa realidade exige o conceito de ‘conectividade significativa’, que vai além da infraestrutura de internet e inclui capacitação, gestão de dados e desenvolvimento de habilidades digitais”, destacou.
A pesquisadora destacou que a transformação digital é um dos eixos estratégicos da Embrapa para enfrentar desafios como sustentabilidade, mudanças climáticas, rastreabilidade e transição energética. Silvia observou que o Brasil possui cerca de cinco milhões de produtores rurais, dos quais 77% são pequenos e médios, o que reforça a necessidade de democratizar o acesso às tecnologias digitais.
A dirigente também apresentou indicadores sobre o impacto da pesquisa agropecuária. Segundo ela, a Embrapa mantém cerca de 4,3 mil projetos de pesquisa em andamento e, em 2025, cada real investido na instituição gerou retorno de R$ 27 para a sociedade. O chamado lucro social alcançou R$ 124 bilhões, equivalente a aproximadamente 20% do PIB agrícola brasileiro.
Na parte final da palestra, Silvia explicou que a inteligência artificial vem sendo incorporada às diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a pré-produção até a pós-colheita. As aplicações incluem previsão de produtividade, monitoramento de pragas e doenças, pecuária de precisão e sistemas de apoio à decisão. Segundo ela, essas iniciativas integram o programa “IA no Campo, para o Campo e pelo Campo”, criado pela Embrapa para ampliar o uso da inteligência artificial em uma agricultura mais sustentável, regenerativa, de baixo carbono e baseada em modelos preditivos.
A manhã também contou com a entrega do Prêmio Prêmio da ISPA: O futuro da Agricultura de Precisão e Digital para uma agricultura mais sustentável e rentável, entregue ao pesquisador Erik Lund, da Veris Technologies, Inc. Após receber a honraria, Lund apresentou seu trabalho aos presentes.
Agricultura digital
Já na tarde da quarta-feira (15), aconteceu o painel “Cenário atual da prestação de serviços em Agricultura de Precisão no Brasil”. Participou o presidente da Associação Brasileira dos Prestadores de Serviço de Agricultura de Precisão (ABPSAP), engenheiro agrônomo e consultor de Agricultura de Precisão Fernando Martins.
O dirigente iniciou falando da trajetória da agricultura de precisão. No cenário brasileiro, os primeiros registros acadêmicos surgiram em meados da década de 1990. A partir de então, houve um crescimento expressivo no volume de publicações científicas, conforme evidenciado por levantamento que ilustra a expansão do interesse técnico-científico nas duas últimas décadas. “Esse movimento foi fundamental para o surgimento da ABPSAP”, destacou.
Em 2015, consolidou-se a fundação da ABPSAP, fruto da união de diversas empresas do setor. “Atualmente, a associação conta com cerca de 130 membros associados, um número dinâmico que reflete a constante evolução e a vitalidade do mercado de agricultura de precisão no Brasil”, referiu.
Martins descreveu que, primeiramente, a agricultura de precisão é um sistema de gerenciamento agrícola fundamentado na variação espacial e temporal da unidade produtiva. O objetivo central é o aumento do retorno econômico. “Não se trata apenas de economizar recursos ou ampliar a escala produtiva, mas de otimizar a rentabilidade. O cenário ideal é a convergência entre a redução de custos e o incremento da produtividade”, apontou.
O dirigente destacou ainda ser imprescindível enfatizar a sustentabilidade e a minimização dos impactos ambientais. “Devemos considerar que a agricultura moderna faz uso intensivo de fontes não renováveis, tornando o manejo consciente desses recursos um imperativo ético e operacional para o setor”, concluiu.
A segunda palestra da tarde foi o painel “Evolução e potencial da agricultura digital: a experiência da SLC Agrícola. O CEO da SLC, Aurélio Pavinato, afirmou que a agricultura digital vai permitir um manejo cada vez mais qualificado da lavoura. A manifestação pode resumir os objetivos de sua palestra, que começou com uma linha do tempo demonstrando a evolução da agricultura de precisão na empresa, iniciando em 2002 com amostragem de solo e taxa variável.
O gestor relatou que a SLC opera 26 fazendas, em 8 estados, plantando e colhendo 830 mil hectares. “Deste total, quase 100% das áreas já receberam ajuste com uso de taxa variável”, detalhou.
Da agricultura 1.0 no Brasil, sem mecanização, até os anos atuais, com a 5.0, Pavinato relatou os avanços tecnológicos e destacou que, em 2011, a SLC desenvolveu o primeiro mapa de produtividade para uma lavoura de algodão. Nos anos seguintes, a empresa reforçou o time de agricultura digital. “Hoje são 70 funcionários e em cada fazenda são dois prestando assistência e coletando dados”, contou. Além disso, para aprimorar a coleta de informações, instalaram 4G em todas as propriedades aumentando a conectividade.
Ao chegar na geração 5.0, Pavinato destacou que o foco é inteligência artificial, a autonomia das máquinas, dos robôs e assim por diante. “Em 2021 e 2022 começamos a trabalhar com o mapeamento de ervas daninhas com drones e fazer a aplicação com base em imagens”, disse. O empresário também apresentou o uso de uma aeronave autônoma elétrica de pulverização que pode voar à noite, e de robôs que percorrem a lavoura coletando dados. “Este avião nos permite pulverizar a lavoura mesmo quando há muita umidade devido a chuvas, quando o pulverizador não pode entrar no campo. Já temos três”, disse.
O projeto recente da SLC quanto à agricultura digital está na instalação de torres de gestão na sede da empresa em Porto Alegre (RS). “Já temos 13 rodando e outras 13 em fase de instalação. “Trata-se de um time de suporte acompanhando a alteração de cada máquina, checando a qualidade”, explicou.
Informe à imprensa: Flávia Romanelli Enviado Por: Agridoce Comunicação


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