Caldo cristalizado pelo novo processo (E) e não cristalizado: produção de açúcar com cana-energia (Foto Erik Nardini – CTBE/CNPEM).
Pesquisadores do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/CNPEM) desenvolveram um novo método capaz de produzir açúcar a partir da cana-energia, também chamada de “supercana”. E este é um avanço enorme. A principal razão que limita a adoção da cana-energia pelo setor sucroenergético reside no fato de os processos atuais serem incapazes de produzir açúcar, justamente o produto mais rentável, a partir da “supercana”. O inédito processo para cristalização do caldo de cana-energia deve virar o jogo.
Na agricultura, o que interessa é a produtividade por hectare. No setor sucroenergético, boa parte das crises tem como origem a estagnação da produtividade da cana, e em alguns casos o seu decréscimo. Nos últimos anos surgiu um novo produto, a cana-energia, o “petróleo verde”, capaz de duplicar a quantidade de biomassa produzida por hectare.
Essa cana é mais rica em fibra, que é um açúcar insolúvel, e tem menor concentração de sacarose – o açúcar de mesa – no caldo, o que impossibilita a sua separação. Com isso, a cana-energia, embora muito mais produtiva, tinha seu uso limitado a produção de etanol e energia elétrica.
O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/CNPEM), um dos quatro laboratórios que integram o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), pioneiro em pesquisa e inovação voltada à produção de energia, bioquímicos e biocombustíveis avançados a partir de biomassa, deu um passo decisivo que permitirá a ampla adoção da cana-energia pelo setor, possibilitando ao país, em curto prazo, dobrar a produção de energia de biomassa e etanol sem perder a produção do açúcar, o mais rentável dos produtos, e sem aumento de área plantada.
A invenção, que torna possível a obtenção de açúcar a partir de cana energia, envolveu o desenvolvimento de uma nova levedura que não consome (metaboliza) sacarose e a otimização de um processo para obtenção de açúcar. A patente desta nova invenção foi depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no dia 2 de junho. Grandes empresas do setor já mostram interesse pelo uso da tecnologia.
Números comparativos:
– Com um hectare plantado de cana convencional, uma fábrica de açúcar produz 8,2 toneladas de açúcar, 1,7 mil litros de etanol (a partir do melaço) e 5,6 MWh de energia elétrica excedente.
– Já com um hectare plantado de cana energia, uma fábrica de açúcar produziria 8,1 toneladas de açúcar, 4,6 mil litros de etanol e 20 MWh de energia elétrica excedente.
– Considerando uma destilaria autônoma, poderia ser produzido até 6,8 mil litros de etanol e 5,6 MWh por hectare com cana convencional e 9,2 mil litros de etanol e 20 MWh com cana energia.
Pesquisadores:
– Carolina Grassi, coordenadora associada da Divisão Molecular e responsável pelo programa Cana-Energia no CTBE; – Gonçalo A. G. Pereira, diretor do CTBE e um dos inventores;
– Paulo Mantelatto, pesquisador do CTBE e responsável pela otimização do processo de cristalização; e Leandro Vieira dos Santos, pesquisador do CTBE e responsável pelo desenvolvimento da levedura.
Informe à imprensa: Eduardo Vella / Medialink Comunicação





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