Aplicações práticas da tecnologia mostram ganhos de eficiência de até 58% e apontam nova fase com integração de IA e foco em logística. (Divulgação)
Abril, 2026 — “Gêmeos Digitais” — réplicas virtuais de ambientes físicos capazes de simular cenários e antecipar decisões — começam a ganhar escala no Brasil, com aplicações concretas tanto na saúde quanto na indústria. O tema está no centro das discussões do IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos), destacada organização profissional técnica do mundo, dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade.
Mais do que uma promessa da transformação digital, os gêmeos digitais já apresentam resultados mensuráveis: em um hospital público, por exemplo, foi possível reduzir em até 58% o tempo de entrega de exames laboratoriais, além de gerar uma economia anual superior a R$ 300 mil.
“Ao criar uma representação virtual completa de um ambiente real, conseguimos testar cenários e antecipar decisões antes que elas aconteçam. Isso muda completamente a lógica da gestão, porque reduz incertezas e melhora a eficiência operacional”, afirma Cristiane Pimentel, membro sênior do IEEE e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Tecnologia sai do piloto e entrega ganho real em saúde
Na área da saúde, os primeiros projetos vêm demonstrando como a tecnologia pode impactar diretamente a qualidade do atendimento. Estudos aplicados permitiram redesenhar fluxos operacionais críticos, como coleta e análise de exames, movimentação de pacientes e distribuição de medicamentos. Os ganhos vão além da eficiência operacional. A redução no tempo de exames tem impacto direto em situações sensíveis, como partos e atendimentos de urgência, aumentando a segurança do paciente e reduzindo riscos clínicos.
“Quando falamos de saúde, não estamos falando apenas de eficiência, mas de vidas. Reduzir o tempo de um exame pode significar decisões mais rápidas e maior segurança para pacientes em situações críticas”, destaca Cristiane.
Outras melhorias incluem a reorganização da logística interna hospitalar, com redução de filas, melhor uso de equipes e implantação de farmácias satélites para atendimento mais ágil em casos críticos.
Indústria avança e leva “gêmeos digitais” da fábrica à logística
No setor industrial, os gêmeos digitais avançam para níveis mais sofisticados, com integração de sensores e dados em tempo real. Um dos destaques é o uso de “learning factories”, que permitem simular mudanças em escala reduzida antes da implementação no ambiente real. A tecnologia também começa a migrar do ambiente interno para a logística e a gestão de cadeias de suprimento, com uso crescente na simulação de rotas, previsão de riscos e otimização da distribuição em cenários de instabilidade global. Nesse movimento, ganha força a integração com inteligência artificial, conectividade avançada e sistemas de dados em tempo real.
IA amplia capacidade de decisão, mas mantém humano no comando
A evolução dos gêmeos digitais está diretamente ligada ao uso de inteligência artificial. Nos estágios mais avançados, a IA atua como camada de interpretação dos dados, permitindo análises preditivas e, em alguns casos, decisões automatizadas. “Na fase mais avançada, a inteligência artificial passa a interpretar os dados e apoiar a tomada de decisão. Mas, especialmente na saúde, ela amplia a capacidade de análise”, afirma Cristiane.
Custo, dados e formação ainda travam escala no país
Apesar dos avanços, a adoção da tecnologia no Brasil ainda enfrenta obstáculos relevantes, como o alto custo de implementação, a necessidade de infraestrutura adequada e a baixa qualidade ou confiabilidade dos dados disponíveis em muitas organizações. Há também desafios relacionados à formação de profissionais multidisciplinares, capazes de integrar conhecimento técnico, visão de processos e entendimento do setor de aplicação. No campo regulatório, especialistas apontam lacunas importantes, especialmente no que diz respeito à proteção de dados sensíveis e ao uso de inteligência artificial em ambientes críticos.
Para o IEEE, o avanço dos gêmeos digitais indica uma mudança estrutural na forma como organizações planejam e operam, com potencial de gerar ganhos de eficiência, sustentabilidade e qualidade em diversos setores.
Fonte: Thiago Leme / Ascom IEEE



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