
Pesquisa apresentada na Rio Innovation Week desenvolve bioinsumos que protegem plantações contra doenças, reduzem impactos ambientais e já despertam interesse do mercado. (Maite Vaslin / Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ)
Uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pode ajudar a transformar a agricultura brasileira. Pesquisadores da universidade criaram um bioinsumo capaz de proteger plantações contra doenças causadas por vírus, aumentar a produtividade das lavouras e reduzir a necessidade do uso de agrotóxicos.
O projeto foi apresentado durante a Rio Innovation Week, no pitch “Bioinsumos para Agricultura Regenerativa”, mostrando como a ciência produzida dentro da universidade pode chegar ao campo e gerar benefícios para produtores rurais, consumidores e para o meio ambiente.
Os chamados bioinsumos são produtos de origem biológica utilizados para fortalecer as plantas e tornar a produção agrícola mais sustentável. Diferentemente dos defensivos químicos tradicionais, eles não contaminam o solo, a água nem oferecem riscos para quem faz a aplicação.
Segundo a professora Maite Vaslin, titular do Departamento de Virologia do Instituto de Microbiologia da UFRJ, a pesquisa nasceu para enfrentar um dos maiores desafios da agricultura: as doenças causadas por vírus nas plantações.
“Hoje, quando uma planta é atacada por um vírus, praticamente não existe tratamento. Muitas vezes ela precisa ser eliminada, causando grandes prejuízos ao produtor. Nosso bioinsumo fortalece as defesas naturais da planta, ajuda a prevenir essas doenças e ainda aumenta a produtividade de forma sustentável.”
O diferencial da tecnologia está justamente na forma como ela foi desenvolvida. Enquanto grande parte dos bioinsumos disponíveis atualmente utiliza bactérias ou fungos vivos, a solução criada pela UFRJ utiliza apenas uma molécula extraída desses microrganismos. Isso torna o produto mais estável, mais fácil de armazenar e aplicar, além de representar uma inovação inédita.
Os resultados obtidos até agora chamam atenção. A tecnologia já foi testada em mais de seis culturas agrícolas diferentes, sempre com resultados positivos. Em uma fazenda de maracujá na Bahia, por exemplo, o uso do bioinsumo aumentou a produtividade em cerca de 75%, gerando um ganho estimado de aproximadamente R$ 70 mil por hectare plantado.
Além de proteger as lavouras, o produto também funciona como um biofertilizante, contribuindo para o desenvolvimento das plantas sem causar impactos negativos ao meio ambiente ou aos microrganismos benéficos presentes no solo.
Outro objetivo da pesquisa é reduzir a dependência brasileira de insumos agrícolas importados e ampliar o uso de tecnologias desenvolvidas no próprio país.
“É uma tecnologia nacional que pode substituir gradualmente produtos mais poluentes, diminuir a contaminação do solo e da água e contribuir para uma agricultura mais sustentável”, destaca Maite.
Depois de mais de uma década de pesquisas, a tecnologia já ultrapassou os testes de laboratório e vem sendo avaliada em fazendas comerciais. O projeto possui duas patentes depositadas e deu origem à startup Tolveg, criada por ex-alunas da UFRJ para levar a inovação ao mercado em escala comercial.
Hoje, a empresa trabalha para ampliar a capacidade de produção e atender a demanda já existente pelo bioinsumo.
A iniciativa também integra o Agrotec Inova Trip UFRJ, grupo contemplado em um programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) que aproxima pesquisadores, empresas e produtores rurais para desenvolver soluções voltadas às necessidades do setor agrícola. E conta com o apoio do Dr. Raul Carriello Rosa, pesquisador na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Para Maite, transformar conhecimento científico em inovação exige que pesquisadores saiam da universidade e dialoguem com o mercado, um processo que contou com apoio da Inova UFRJ.
“Transformar uma pesquisa em inovação não é um caminho simples. Exige aprender sobre gestão, empreendedorismo e mercado. O apoio da Inova UFRJ foi fundamental para proteger nossas ideias, estruturar projetos e aproximar a pesquisa das empresas. É esse caminho que faz a ciência sair do laboratório e chegar à sociedade.”
UFRJ na Rio Innovation Week
Datas: 4 a 7 de agosto de 2026
Local: Píer Mauá, Rio de Janeiro – RJ
Pela quarta vez consecutiva, a UFRJ participa da Rio Innovation Week, levando ao público pesquisas, experiências imersivas, projetos de extensão e tecnologias que mostram como o conhecimento produzido na universidade pública pode melhorar a vida das pessoas.
O estande é organizado pela Pró-Reitoria de Extensão, pelo Parque Tecnológico e pela Inova UFRJ e funciona no Armazém Kobra, das 11h às 20h.
Sobre a Extensão
A Extensão é a área da UFRJ responsável por aproximar a universidade da sociedade. Todos os anos, suas ações alcançam mais de 2 milhões de pessoas por meio de cursos, oficinas, projetos, eventos e outras iniciativas que levam o conhecimento produzido na universidade para além dos campi.
Informações à imprensa: Jéssica Rodrigues / Agência Guindaste



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