
“Defende que a competitividade do algodão brasileiro será definida cada vez mais pela capacidade de transformar conhecimento em decisões estratégicas no campo”, defende Cristina Gross. Dia do Algodão, na Bahia, reúne autoridades. (Foto: Gabriel Carneiro)
A cotonicultura brasileira alcançou um novo patamar de produtividade e reconhecimento internacional. Mas, para manter esse protagonismo nos próximos anos, será preciso ir além da produção recorde. Na avaliação da produtora rural Cristina Gross, o futuro do setor dependerá da capacidade de unir gestão, inovação e conhecimento técnico para tomar decisões cada vez mais assertivas dentro das propriedades.
A análise ganha relevância em um momento de expansão da cultura no país. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher uma das maiores safras de algodão de sua história, consolidando-se entre os maiores produtores e exportadores mundiais da fibra. Na Bahia, segundo maior produtor nacional, a cotonicultura segue como uma das principais cadeias do agronegócio, impulsionada pelos investimentos em tecnologia, pesquisa e sustentabilidade. A ABAPA, Associação Baiana dos Produtores de Algodão, estima cerca de 900 mil toneladas de pluma produzidas na safra 25/26.
“Durante muitos anos, o grande desafio era produzir mais. Hoje, isso já não basta. O produtor precisa entender de gestão, acompanhar a evolução da pesquisa, interpretar dados e transformar informação em estratégia. É essa capacidade que vai diferenciar quem continuará competitivo nos próximos anos”, afirma Cristina.
Para ela, um dos fatores que explicam a força da cotonicultura baiana é justamente a cultura de inovação construída ao longo das últimas décadas. “A Bahia se tornou referência porque aprendeu que conhecimento gera resultado. Existe uma conexão muito forte entre produtores, pesquisadores, consultores e entidades do setor. Essa troca constante de experiências acelera a adoção de tecnologias e fortalece toda a cadeia produtiva”.
Advogada e produtora rural, Cristina destaca que a agricultura moderna exige um olhar cada vez mais estratégico sobre indicadores de desempenho, custos de produção, agricultura de precisão, sustentabilidade e gestão de pessoas.
“Investir em tecnologia continua sendo fundamental. Mas a tecnologia, sozinha, não resolve. O diferencial está na capacidade de interpretar informações e tomar a decisão certa no momento certo. Esse é o caminho para produzir com mais eficiência e rentabilidade.”
Outro aspecto considerado decisivo é a sustentabilidade. Segundo a liderança do agro, produzir com responsabilidade ambiental deixou de ser apenas uma exigência do mercado e passou a representar uma vantagem competitiva para o algodão brasileiro.
“O consumidor quer saber como aquele produto foi produzido. Isso exige rastreabilidade, responsabilidade e compromisso com boas práticas. O produtor brasileiro já mostrou que é capaz de conciliar produtividade e sustentabilidade, e isso fortalece nossa posição no mercado internacional”, disse a produtora Gross.
Sobre Cristina Gross
Cristina Gross é uma destacada líder do agronegócio baiano e produtora rural no Oeste da Bahia; é diretoria financeira da AIBA – Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia – e atua e acompanha de perto dos principais debates relacionados à cotonicultura, irrigação, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento do Matopiba. (Foto: Arquivo pessoal)
Por: Carla Letícia (Jornalista MTB 6055/BA) / Cacau Comunicação



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