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ONU reconhece iniciativa apoiada pela Embrapa como referência mundial em restauração

Com a iniciativa, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) já foram coletadas e aplicadas em campo. (Foto: projAraticum-FotoRSC-4)

Com a iniciativa, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) já foram coletadas e aplicadas em campo. (Foto: projAraticum-FotoRSC-4)

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou hoje (26 de agosto), durante a 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o reconhecimento da iniciativa Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro como uma das Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).

Concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o reconhecimento faz do Brasil o único país, até o momento, com duas iniciativas consideradas referências mundiais em restauração.

A Araticum é uma rede colaborativa multissetorial criada em 2020 com a meta de promover a restauração do Cerrado inclusiva e em escala, integrando a ciência formal aos conhecimentos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para a conservação da água, do clima e da sociobiodiversidade.

Na governança da rede desde a sua fundação, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) coordena o eixo de produção, sistematização e difusão de conhecimento técnico, aportando seu conhecimento em métodos de restauração, protocolos de monitoramento e diretrizes para a recuperação da vegetação nativa em pastagens degradadas e de áreas de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente (APP) em propriedades privadas.

“Por meio dessa atuação, a Unidade participa da cadeia de valor da restauração no Cerrado e contribui tecnicamente para agendas e políticas públicas de alcance nacional”, informa o pesquisador desse centro de pesquisa da Embrapa, Daniel Vieira, também membro da coordenação da Araticum.

A COP da Desertificação

O Cerrado abrange mais de 2 milhões de quilômetros quadrados do território nacional e desempenha papel crucial na regulação hídrica das principais bacias hidrográficas do país, além do sequestro e estocagem de carbono. Contudo, a conversão do uso da terra e a fragmentação da vegetação já resultaram na perda de mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado, ameaçando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos essenciais. Sua restauração é considerada importante para a segurança hídrica, alimentar e climática.

Por isso, a importância do reconhecimento da ONU à iniciativa brasileira Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro.

Para acompanhar esse tema, acesse o link da COP17

Principais resultados da iniciativa Araticum (ONU Flagship):

  • Área mapeada em restauração: mais de 27.000 hectares já rastreados e monitorados continuamente por plataforma digital georreferenciada.
  • Diversidade genética e botânica: sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas do Cerrado (árvores, arbustos e gramíneas) coletadas e aplicadas em campo.
  • Rede integrada: mais de 180 organizações mobilizadas, engajando comunidades tradicionais (geraizeiros, quilombolas e indígenas), agricultores, pesquisadores e setor privado.
  • Abrangência geográfica: ações diretas de restauração distribuídas ao longo de nove estados brasileiros.
  • Meta para 2030: alcançar 2 milhões de hectares restaurados no Cerrado, contribuindo diretamente para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares.
  • Impacto global: integra o grupo de 30 Iniciativas de Referência da ONU, que juntas já somam quase 20 milhões de hectares em recuperação e visam atingir 75 milhões de hectares até 2030, gerando mais de 800 mil empregos.

Cadeia socioambiental e fortalecimento das comunidades

Além dos ganhos ambientais diretos na proteção da água e do solo, a estratégia da Araticum contribui para a estruturação da economia da restauração no campo. O processo impulsiona a cadeia produtiva local, envolvendo redes de coletores comunitários de sementes, com forte protagonismo de mulheres e jovens de povos e comunidades tradicionais, viveiristas e prestadores de serviços de monitoramento.

“Restaurar o Cerrado vai muito além do plantio: trata-se de recompor o funcionamento e os serviços dos ecossistemas, gerando trabalho e renda, e contribuindo para resgatar a identidade para quem vive no território”, destaca Vieira. Segundo o pesquisador, programas de Pagamento por Serviços Ambientais e a implementação de sistemas agroflorestais e silvipastoris com espécies nativas de valor econômico — como o araticum, o baru e o pequi — oferecem aos produtores rurais alternativas produtivas sustentáveis e rentáveis.

Projeção internacional e novos investimentos

Com o diploma concedido no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o progresso das ações da Araticum será acompanhado e monitorado mundialmente por meio da plataforma Framework for Ecosystem Restoration Monitoring (FERM). A visibilidade internacional abre portas para novas parcerias de cooperação científica e atração de investimentos para acelerar a restauração biológica do Cerrado.

Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

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