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Deu branco na hora da prova? Neurocientista explica o que fazer para recuperar a memória

Ansiedade excessiva, privação de sono e dificuldades de concentração podem prejudicar a recuperação de informações durante o ENEM. Especialista explica como controlar a reação e retomar o raciocínio. (Tonodiaz / Freepik)

Ansiedade excessiva, privação de sono e dificuldades de concentração podem prejudicar a recuperação de informações durante o ENEM. Especialista explica como controlar a reação e retomar o raciocínio. (Tonodiaz / Freepik)

Com a chegada do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), marcado para os dias 8 e 15 de novembro, um dos receios dos estudantes é esquecer, durante a prova, conteúdos que passaram meses estudando. Conhecido popularmente como “deu branco”, o fenômeno pode estar relacionado à ansiedade excessiva e à dificuldade temporária de recuperar informações armazenadas na memória.

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em Neurociências, diretor científico do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) e professor convidado da pós-graduação em Neurociências e Comportamento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), explica que o problema nem sempre representa falta de conhecimento.

Segundo o especialista, a ansiedade elevada pode comprometer a atenção e sobrecarregar a memória de trabalho, responsável por manter e manipular informações durante a resolução das questões. Pensamentos relacionados ao medo de errar, à pressão familiar e às consequências de uma nota baixa disputam recursos cognitivos com a própria atividade intelectual.

O uso excessivo das redes sociais também merece atenção. A exposição constante a notificações, vídeos curtos e comparações sociais, principalmente quando interfere no sono e na rotina de estudos, pode contribuir para dificuldades de concentração e sintomas de ansiedade. Essa associação, porém, não significa que as redes sociais sejam a causa direta do bloqueio de memória.

O que fazer quando der branco?

A primeira recomendação é interromper por alguns segundos a tentativa de recordar a resposta. Respirar lentamente, com uma expiração mais prolongada, pode ajudar a controlar a ativação fisiológica da ansiedade.

Em seguida, o estudante deve reler o enunciado e identificar palavras-chave relacionadas ao conteúdo estudado. Essas pistas podem facilitar a recuperação de informações por associação.

Se a dificuldade continuar, a orientação é passar para outra questão e retornar posteriormente. Insistir repetidamente na mesma resposta pode aumentar a frustração e consumir tempo que poderia ser utilizado em outras perguntas.

Fabiano também recomenda que os candidatos evitem noites mal dormidas, reduzam as distrações digitais e pratiquem simulados sob condições semelhantes às do exame. O treinamento ajuda a familiarizar o estudante com a pressão do tempo e a identificar dificuldades antes da prova.

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em Neurociências, diretor científico do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH). (Divulgação)

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em Neurociências, diretor científico do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH). (Divulgação)

O neurocientista é autor do estudo científico “Técnicas para memorização: sobre as células de engramas”, publicado em 2021 na revista Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar. O trabalho discute mecanismos da memória, neuroplasticidade, atenção e estratégias que podem favorecer a retenção e a recuperação de conhecimentos.

A principal orientação é compreender que esquecer uma informação e apresentar dificuldade momentânea para recuperá-la são situações diferentes. Controlar a ansiedade, reorganizar a atenção e utilizar pistas de memória podem ajudar o estudante a retomar o raciocínio sem comprometer o restante da prova.

Comunicado de Imprensa
Créditos: Divulgação / MF Press Global

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