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Reunidos na Abapa, pesquisadores e produtores discutiram sistemas intensivos de produção

Recebido pela Abapa, o evento reuniu cerca de 300 especialistas, produtores e pesquisadores de instituições de referência em pesquisa, como Embrapa, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fundação Bahia, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), entre outras. (Captura de tela 2025-09-09 131016 - reprodução).

Recebido pela Abapa, o evento reuniu cerca de 300 especialistas, produtores e pesquisadores de instituições de referência em pesquisa, como Embrapa, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fundação Bahia, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), entre outras. (Reprodução / Captura de tela – Info São Desidério).

A visão sistêmica da agricultura, que vai além da análise isolada de culturas como algodão, soja e milho, e foco na integração entre lavouras, pastagens e animais, foi a tônica do III Simpósio sobre Sistemas Intensivos de Produção, realizado entre os dias 09 e 11 de setembro, no auditório da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), em Luís Eduardo Magalhães (BA) — município estratégico do Matopiba, considerada a nova fronteira agrícola do país.

Recebido pela Abapa, o evento reuniu cerca de 300 especialistas, produtores e pesquisadores de instituições de referência em pesquisa, como Embrapa, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fundação Bahia, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), entre outras, para apresentar e debater estudos sobre o tema.

Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, o encontro cumpriu um papel essencial de transformar ciência em prática. O simpósio reforçou que precisamos reverter o conhecimento em resultados, aplicando soluções comprovadas que aumentam a eficiência produtiva e fortaleçam nosso compromisso com a preservação ambiental. Essa é a essência das estratégias ESG no campo: mostrar que produção e conservação não são excludentes, mas complementares. Os cases apresentados ao longo dos três dias mostraram que a inovação aplicada ao sistema produtivo traz ganhos concretos ao produtor e à sociedade.”

O simpósio nasceu em 2019, durante uma reunião em Mato Grosso, como proposta de debater soluções para rentabilidade e sustentabilidade da agricultura nacional. Intercalado com o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) – que é realizado a cada dois anos pela Associação Brasileira do Algodão (Abrapa) – tornou-se um espaço estratégico de discussão científica e prática.

A primeira edição ocorreu em Cuiabá (2021), a segunda em Campo Grande (2023), e agora, em Luís Eduardo Magalhães, o evento abordou o manejo integrado de doenças, pragas, plantas daninhas, agricultura regenerativa, baixo carbono e sucessão de culturas. A próxima edição, em 2027, deve ocorrer em Goiânia (GO).

“O encontro dá subsídios também para o Congresso Brasileiro do Algodão na sua comissão científica. No Simpósio, o algodão é parte do sistema, mas o foco é mais amplo, incluindo todas as culturas e os desafios enfrentados pelo produtor. Buscamos levar os maiores especialistas para discutir inovação e práticas sustentáveis”, explicou o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Algodão, Luiz Gonzaga Chitarra.

Pensamento holístico

Um dos pontos reforçados pelos palestrantes foi a necessidade de pensar a agricultura como um todo. “O produtor não cultiva só algodão, soja ou milho. As pragas e doenças também não têm essa divisão. Por isso, todas as decisões precisam considerar o sistema. Ao planejar a rotação e sucessão de culturas, uma antecessora beneficia a sucessora, seja pela adubação, pelo controle de plantas daninhas ou pela melhoria do solo. Essa visão maximiza os resultados e fortalece a sustentabilidade”, explicou o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste e integrante da comissão científica da 15ª edição do CBA, Fernando Mendes Lamas.

Essa lógica foi reforçada com exemplos práticos, como o plantio de braquiária após a soja, que ajuda no controle de plantas daninhas, melhora a fertilidade e aumenta a retenção de água no solo, favorecendo a cultura seguinte.

Fixação de carbono

No primeiro dia (09), foram debatidos os temas: “Nematoides – Solo, Planta e Nematoide”, com Andressa Zamboni (Agronema), Pedro Luiz Martins Soares (Unesp) e Júlio César Franchini (Embrapa Soja), sob moderação de Guilherme Lafourcade Amus (Embrapa Agropecuária Oeste); “Estabelecimento de Plantas de Cobertura”, com Alvadi Antonio Balbinot Jr. (Embrapa Trigo), Claudinei Kappes (NemaBio) e Luis Armando Zago Machado (Embrapa Agropecuária Oeste), moderados por Valmor dos Santos (Inovação Agrícola); e “Agricultura de Baixo Carbono e Produtividade Agrícola”, com João Henrique Zonta (Embrapa Algodão), Juca Sá (Fundação Bahia) e Cândido Barreto de Novais (Grupo Sheffer), sob moderação de Júlio César Salton (Embrapa Agropecuária Oeste).

“Apresentei o inventário de fixação de carbono no solo em sistemas de produção de grãos e fibras, com foco no algodão. No debate, demonstrei a importância de levantarmos esses dados, de termos um protocolo de medição do carbono e de compreendermos como está a dinâmica do sequestro de carbono no solo nas áreas de produção de algodão no Oeste da Bahia. Para isso, é fundamental conhecermos a realidade atual e consolidarmos informações que deem suporte a essa construção”, explicou Zonta, um dos autores do projeto Diagnóstico do Estoque de Carbono no Solo, que busca identificar as reservas de carbono e a estabilidade da matéria orgânica em diferentes sistemas de produção de algodão no Oeste da Bahia.

Plantas de cobertura

dsc03402-scaled - Na AbapaNo segundo dia (10), o painel “Rotação e Sucessão de Culturas” destacou Henrique Debiasi (Embrapa Soja), Alexandre Cunha de Barcelos Ferreira (Embrapa Algodão), Rogério Takao Inoue (Kasuya Inteligência Agronômica) e Heliab Nunes (Fundação BA), com moderação de Claudinei Kappes (NemaBio). Debiasi explicou o impacto positivo da diversificação de culturas: “As plantas de cobertura elevam o teor de matéria orgânica do solo, aumentam o volume de raízes, reduzem perdas de água, aumentam a eficiência de uso dos nutrientes e diminuem a incidência de plantas daninhas. Isso resulta em maior produtividade, redução de custos e aumento da rentabilidade. Além disso, o produtor contribui para a preservação ambiental, mostrando que o Brasil é não apenas potência agrícola, mas também potência ambiental.”

Foram debatidos os temas “Manejo de Doenças e Pragas no Sistema de Produção”, com Nédio Tormen (Staphyt), Lucia Madalena Vivan (Cooperativa Agrária) e Henrique Campos (Sabedoria Agrícola), sob moderação de Cirano Meville (Fundação BA); e “Agricultura Irrigada e Segurança Hídrica e Alimentar”, com Larissa Rêgo (MIDR), Marcos Heil (UFV), Fernando Braz Tangerino Hernandez (Unesp) e Iolanda Alves (Fundação BA), moderados por Everardo Mantovani.

O terceiro e último dia tratou do “Manejo de Plantas Daninhas”, com Fernando Storniolo Adegas (Embrapa Soja), Alexandre Ferreira da Silva (Embrapa Milho e Sorgo) e Núbia Maria Correia (Embrapa Cerrados), sob moderação de Ronaldo Trecenti. Adegas alertou para o avanço das plantas daninhas resistentes no Matopiba e reforçou a importância de eventos regionais como este: “É uma região em expansão, com particularidades próprias. Por isso, é essencial discutir soluções para os desafios locais, especialmente em relação às plantas resistentes, que exigem inovação constante no manejo.”

O tema “Alternativas para o Sistema de Produção” contou com a participação de Celito Missio (Oilema), Valdinei Sofiatti (Embrapa Algodão) e Denizarte Bolonhezi (IAC), moderados por Celito Breda (Círculo Verde). Já o painel “Nutrição e Adubação – Novos Produtos” reuniu Wagner Betiol (Embrapa Meio Ambiente), José Cláudio de Oliveira (JCO Bioprodutos) e Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra (UFOB), sob moderação de Heliab Nunes (Fundação BA).

Fonte: Imprensa Abapa

Por: Catarina Guedes e Monise Centurion

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