
Após anos convivendo com os desafios da gastrostomia do filho, Nilza Carla desenvolveu o JO+ Absorvente Dérmico, dispositivo que busca reduzir lesões, infecções e internações. (Fotos: Divulgação)
São Paulo/Salvador, maio de 2026 – Estima-se que mais de 300 mil brasileiros convivam com gastrostomia, procedimento que utiliza uma sonda para alimentação e administração de medicamentos. Entre eles, até 74% desenvolvem complicações como lesões na pele, infecções, dor e reinternações. Foi para enfrentar esse problema que a baiana Nilza Carla, de Salvador, desenvolveu o JO+ Absorvente Dérmico, uma tecnologia criada a partir da própria experiência como mãe de um paciente gastrostomizado.
A história começou há 19 anos, quando seu filho João Pedro sofreu anóxia perinatal, recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral e passou a depender permanentemente de uma gastrostomia. O procedimento exige cuidados diários para evitar infecções, lesões e outras complicações que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias.
“Eu fui inserida no sistema hospitalar sem preparo e sem orientação adequada para lidar com uma realidade extremamente complexa. Foi convivendo com essas dificuldades que percebi a falta de soluções específicas para proteger a pele dos pacientes gastrostomizados”, relembra Nilza.
Determinada a encontrar respostas, ela transformou a experiência pessoal em uma jornada de estudo e pesquisa. Formou-se Técnica em Enfermagem e, posteriormente, graduou-se em Ciências Biológicas. Ao longo desse caminho, percebeu que a realidade vivida por sua família era compartilhada por milhares de pacientes e cuidadores em todo o Brasil.
Foi dessa combinação entre experiência prática e conhecimento científico que nasceu o JO+ Absorvente Dérmico, dispositivo desenvolvido para proteger a pele ao redor do estoma, absorver secreções e ajudar a prevenir lesões, infecções, dor e desconforto.
“O JO+ surgiu para resolver um problema real, enfrentado diariamente por pacientes, familiares e profissionais de saúde. É uma solução simples, mas com potencial de gerar impacto significativo na qualidade de vida e na prevenção de complicações clínicas”, explica.
O nome da tecnologia também carrega sua origem: JO é uma homenagem a João Pedro, enquanto o símbolo “+” representa a ampliação do cuidado, da proteção e do impacto social.
Impacto para pacientes e para o sistema de saúde
Além dos impactos físicos e emocionais para pacientes e familiares, as complicações relacionadas à gastrostomia também representam um desafio para os sistemas de saúde. Dados do setor indicam que infecções e complicações associadas à assistência geram bilhões de reais em custos evitáveis todos os anos. O JO+ atua justamente na prevenção dessas ocorrências. O dispositivo protege a pele contra o contato contínuo com líquidos e secreções que vazam do estoma, reduzindo fatores que frequentemente levam a lesões cutâneas, infecções oportunistas e reinternações.
Hoje, a tecnologia já conta com protótipo em estágio avançado de desenvolvimento (TRL 6–7), testes em campo realizados, validação técnica preliminar e pedido de patente depositado. O projeto também recebeu reconhecimento internacional. Em 2024, Nilza Carla foi convidada a apresentar a iniciativa no Web Summit Lisboa, um dos maiores eventos globais de inovação e tecnologia.
Próximos passos
Com pedido de patente depositado e potencial de transferência tecnológica, o JO+ busca parcerias com instituições, investidores e programas públicos para ampliar sua produção e facilitar o acesso de pacientes à tecnologia. “O que começou como uma busca por qualidade de vida para o meu filho se transformou em uma solução que pode beneficiar milhares de pessoas. Temos ciência, solução e demanda. Agora buscamos parceiros para levar essa inovação adiante”, completa Nilza.
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Sobre Nilza Carla e JO+
Nilza Carla é mãe de João Pedro, de 19 anos, pesquisadora, bióloga e técnica em enfermagem há mais de 12 anos. É criadora do JO+ Absorvente Dérmico, tecnologia voltada à proteção da pele de pacientes com gastrostomia.
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Informações para a imprensa | Casa Valente
Por: Regina Valente






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