
Compostas por água e fertilizantes balanceados, as soluções nutritivas fornecem macronutrientes e micronutrientes essenciais para atender às exigências de cada cultura. (Relacionada / Reprodução Internet)
Com a crescente busca por sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, a semi-hidroponia vem ganhando espaço na produção de hortaliças de alto valor agregado. Nesse contexto, as soluções nutritivas desempenham papel fundamental ao fornecer todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento de diversos tipos de plantas, substituindo parte das funções exercidas pelo solo e permitindo um controle muito mais preciso sobre a produção. Entre as culturas que têm apresentado resultados promissores está o pepino japonês, uma hortaliça de grande importância econômica e alimentar.
Compostas por água e fertilizantes balanceados, as soluções nutritivas fornecem macronutrientes e micronutrientes essenciais para atender às exigências de cada cultura. No caso do pepino japonês (Cucumis sativus L.), espécie de crescimento rápido e elevada demanda nutricional, o manejo adequado da solução e o monitoramento constante do pH e da condutividade elétrica são fatores decisivos para garantir produtividade, qualidade dos frutos e viabilidade econômica da produção. Além disso, o sistema semi-hidropônico contribui para o uso mais eficiente da água e dos fertilizantes, reduzindo desperdícios e impactos ambientais, dessa forma, o equilíbrio nutricional é essencial para cada fase da cultura, como descrito na (Tabela 1) no formato de gramas para cada 1.000 litros.
Para avaliar o potencial desse modelo produtivo, conduzi um experimento com o pepino japonês híbrido Kouki em sistema semi-hidropônico protegido (estufa), no município de Boa Vista, em Roraima. O cultivo utilizou substrato inerte composto por areia e casaca de arroz carbonizada, e uma formulação nutricional adaptada a partir de recomendações técnicas já consolidadas para este sistema. A condutividade elétrica (CE) e pH da solução nutritiva foi monitorado e ajustado à faixa de CE de 1,5 a 2,5 e pH de 5,5 a 6,5. Sendo que na maioria das vezes ajustou-se CE de 1,8 e pH de 6,0 na fase de crescimento, e CE de 2,1 e pH de 6,0 na fase de frutificação. A temperatura média da solução nutritiva foi de 27⁰C a 28⁰C.
Tabela 1 – Dosagem da solução nutritiva para pepino japonês semi-hidropônico
| Fase de crescimento | |
| Conjunto de nutrientes | g/1000L |
| Ca (NO3)2 (Nitrato de Cálcio) | 500 |
| KNO3 (Nitrato de Potássio) | 380 |
| KH2PO4 (Fosfato Monopotássico) | 300 |
| MgSO4 (Sulfato de Magnésio) | 250 |
| COT (Carbono Orgânico) | 50 |
| Mg, B, Cu, Fe, Mn, Mo, Zn (Mix de Micro-Nutrientes Quelatados-EDTA) | 7 |
| MnSO4 (Sulfato de Manganês) | 3,4 |
| Fe (Quelato de Ferro-EDDHA) | 2 |
| H3BO3 (Ácido Bórico) | 1 |
| Na2MoO4 (Molibdato de Sódio) | 0,17 |
| Fase de frutificação | |
| Conjunto de nutrientes | g/1000L |
| Ca (NO3)2 (Nitrato de Cálcio) | 630 |
| KNO3 (Nitrato de Potássio) | 620 |
| KH2PO4 (Fosfato Monopotássico) | 420 |
| MgSO4 (Sulfato de Magnésio) | 380 |
| COT (Carbono Orgânico) | 50 |
| Mg, B, Cu, Fe, Mn, Mo, Zn (Mix de Micro-Nutrientes Quelatados-EDTA) | 7 |
| MnSO4 (Sulfato de Manganês) | 5,5 |
| Fe (Quelato de Ferro-EDDHA) | 3 |
| H3BO3 (Ácido Bórico) | 1,6 |
| Na2MoO4 (Molibdato de Sódio) | 0,17 |
Fonte: adaptado de (FURLANI et al, 1999 & FERNANDES; MARTINEZ; OLIVEIRA, 2002)
O carbono orgânico (COT) descrito na (Tabela 1) foi utilizado principalmente para elevar o pH da solução, por ser muito pouco utilizado em soluções nutritivas, o mesmo pode ser substituído por Carbonato de Potássio. Para soluções que não há necessidade de elevar o pH, o carbono orgânico pode ser retirado da composição da solução.
Mesmo diante de condições climáticas desafiadoras, com temperaturas que chegaram a ultrapassar os 35°C durante o ciclo produtivo, os resultados foram positivos. A produtividade alcançou 22,7 kg/m2, equivalente a uma média de 8,2 quilos por planta, totalizando 2.360 kg de frutos comercializáveis.
O uso de substrato inerte aliado ao cultivo em ambiente protegido contribuiu para reduzir os riscos fitossanitários e proporcionar um manejo mais controlado da cultura. Além disso, a automatização dos pulsos de irrigação reduziu significativamente a necessidade de mão de obra relacionada ao fornecimento de água e nutrientes.
Os resultados também demonstraram viabilidade econômica, considerando os custos de produção e a comercialização dos frutos, o experimento apresentou lucro líquido de pouco mais de 50%, indicando que o sistema pode representar uma alternativa rentável para produtores interessados em diversificar ou modernizar suas operações.
Por Felipe Vicentini Santi, especialista em agronegócio, com formação em Gestão Ambiental e Gestão em Agronegócio. Possui pós-graduação em Agricultura de Precisão, Engenharia Ambiental e MBA em Agronegócio, e é mestrando em Mudanças Climáticas. Atua há 18 anos no setor, com experiência em grãos e horticultura. (Felipe Santi)
Diante desse cenário, o cultivo semi-hidropônico do pepino japonês se apresenta como uma alternativa tecnicamente eficiente e economicamente viável. Com manejo adequado das soluções nutritivas e monitoramento constante dos parâmetros de cultivo, é possível obter elevada produtividade, frutos de melhor qualidade e mais regularidade de produção ao longo do ano. Os resultados demonstram que a semi-hidroponia pode ser uma importante ferramenta para aumentar a eficiência produtiva, reduzir limitações relacionadas ao solo e ampliar as oportunidades para os horticultores brasileiros, especialmente em regiões com condições climáticas desafiadoras.
Felipe Vicentini Santi, especialista em agronegócio, com formação em Gestão Ambiental e Gestão em Agronegócio. Possui pós-graduação em Agricultura de Precisão, Engenharia Ambiental e MBA em Agronegócio, e é mestrando em Mudanças Climáticas. Atua há 18 anos no setor, com experiência em grãos e horticultura. (Felipe Santi)
Informe à imprensa: Mariana Seman / Enviado Por: EVCOM


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